domingo, agosto 12, 2007

Moldura (Luis Vilar/ Manaíra Aires)

Acordei entre dicionários e física quântica
Entre cálculos e contas de prazos vencidos
Acordei sem ideologia, falida a banca
O que mais me espanta é ter perdido a capacidade de me espantar
Não conseguir estranhar as estranhezas deste lugar
Estradas e entranhas: por onde passar?

Coca-cola, Benetton, Nike e outras piratarias oficiais...
Numa moldura clara e simples, sou aquilo que se vê
Nada mais me espanta, nem os críticos sempre iguais
Suas frases que nascem na garganta sempre certas e superficiais

Nada mais me acerta,
nem o beijo suave, nem a porta aberta
Não há espaço para explosões de pensamentos e sensações
Troca de amor feito envio de arquivo de fotografia
Passar a vista sobre ti feito olhar casa vazia
Tudo congelou num flash, numa luz em que escondiam ilusões
Palavras não me bastam mais.

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