sábado, setembro 01, 2007
?Quem tem medo de Manaíra Aires?
Entre os que precisam mais
Diferentes crenças
Sempre de forma tão iguais
Mitos tão perfeitos
O assassinato da inteligência
Tiros certeiros de uma pseudo informação
!Haja paciência!
O que não vai à venda...
...tem que furar bloqueios rumo ao coração...
Há um circo que te cerca
E você ainda pensa que persegue um sonho teu
Há um cerco feito às pressas
E você ainda crer que não é ateu
Teus deuses te passam à perna
Sangue e idiotices encontraram portas abertas
Aos poucos teu coração também se abre
Parece haver muito pouco a se fazer...
Mas ainda sendo pouco...
...somos maioria, mas não conseguimos ver...
?Quem não tem medo, fome ou sede?
?Quem não está preso na rede?
?Quem não tem culpa ao ficar contra a parede?
Somos maioria, mas não conseguimos ver...
Pontos de vistas...
...que passam a vista em poucos pontos
Falsos otimistas...
...de uma confortável prisão de encantos...
O canto da sereia
O castelo de areia
Que nos leva na maré
E você ainda acredita que o mar é teu
Que nos leva a fé
E você ainda acredita que não vai virar ateu
Chegará ao ponto
...de ser impossível medir velocidade de informação
Cobraram sem pena
...cada espaço vazio do teu coração...
Em muito pouco tempo, não teremos nem alma para oferecer
Tudo porque somos maioria, mas não conseguimos ver...
Anima sana
É tiro no escuro, rosto contra ao vento
Estou indo sem presa alguma
Casa nova, os dois pés na rua
Pouca coisa incomoda
De teto, só mesmo a lua
Anima sana in corpore sano...
Agora, este sou eu
Sem as antigas amarras, o mundo é meu
Fora do emprego
Novas portas sem medo
Outra órbita, novos desejos
Sempre tempo de renovar
Não há segredo
Mas ninguém conhece o lado de lá
Anima sana in corpore sano
Agora, este sou eu
Sem as antigas amarras, o mundo é meu
Só resta construir a ponte
Esticar a mão, mesmo sem tocar o horizonte
Sem pressão, pressa, mas paciência
Enquanto houver vida
Não há a última peça do quebra cabeça
...mais paciência, porque não há...
Anima sana in corpore sano
Agora, este sou eu
Sem antigas amarras, o mundo é meu
E começa agora...
...minha nova história...
Um mundo novo
Sem o personagem que não era eu
domingo, agosto 26, 2007
Para quando tivermos uma folga
Que quase sempre se parecem uns com outros
A gente sai sempre em busca de muito pouco:
Quem sabe chegar vivo depois de sair de casa
O Amor virou algo para quando tivermos uma folga
Uma conversa rara entre as sobras
De um cotidiano de multidões e desertos que nos ronda
Em meio a estes dias de velocidades e horários
Em assim, nestes dias
Nós também nos parecemos uns com os outros
E a indiferença é um vício que nos deixa quase mortos
Com a sensação de que estamos tão vivos como força de trabalho
Mas às vezes você pensa até mesmo sem querer
Que a laranja mecânica será espremida na certa
E o que sobrará para você
Depois de acumular horas extras para gastar com uma vida deserta?
O Amor virou algo para quando pudermos fazer uma viagem
Quem sabe Disneylândia para comprar novas grades
E voltar com a sensação de que somos livres para escolher
A prisão que nos cerca ou a verdade que nos mate
É, às vezes você descobre é sem querer
Que para a bolha explodir anda faltando muito pouco
E o que sobrará para você
Depois de abrir conta no banco para pagar prestação de cemitério
Tapete
Acharam que o sólido não se desmancharia no ar
Nas portas de um novo escândalo
Escaldado de uma nova revolta popular
E do lado de baixo do tapete
O segredo é popular em meio ao tiroteio
Nos enganaram de novo: o novo não veio
Amanhã, uma nova bomba desviará o nosso olhar...
Nos enganaram com a lista dos dez mais
O melhor livro não estava em primeiro lugar
Falta de ter o que dizer não é ter paz
Para si mesmo é impossível disfarçar
E do lado de baixo do tapete
A secreção é um rio que deságua em teu seio
Até quando esperar pelo futuro que não veio
Amanhã, uma nova manchete põe tudo em seu lugar
Nos enganaram com a receita
Laranjas e fantasmas travam nosso paladar
Mas, estando no banquete a gente aceita
E ainda aprova quem possui a arte certa de furtar
E do lado de baixo do tapete
Pó e poesia se confundem o tempo inteiro
A gente perdeu as palavras e anda perdendo o receio
Amanhã, uma nova moral vai nos atacar...
terça-feira, agosto 21, 2007
Vigiar & Punir
Ao fazer demais e ser sempre muito pouco
Quando quem vive a punir e a vigiar
...vive a sugar e depois descartar...
Nem sei se consigo chegar ao sol que me espera
Se perto demais a luz cega...
...longe a escuridão parece uma fera...
Quem sabe um sonho para nos salvar?
...um novo dia, um novo lugar...
Nessas horas, há sempre o risco de enlouquecermos por pouco
Deixando tudo igual, um dia após o outro
Sem enxergar nada de novo a não ser punir e vigiar
Eles vivem a nos sugar...vão nos descartar
E eu nem sei se enxergo o sol que me espera
Se perto demais a luz me cega
De longe a escuridão parece uma fera
E há quem ache que seja peça
Que faltava para o mundo andar...
Há quem viva a achar...
Nessas dias, há sempre a loucura de enfrentarmos o risco
Fazer a diferença, expor ao perigo e sair do abrigo
Quem sabe desafiar quem vive a punir e vigiar
Não vão nos sugar...não vão nos descartar
Eu sei que ainda há um sol que nos espera
De perto, a luz nos fere e parece que cega
De longe, a escuridão vem feito fera
Mas no ponto exato tudo vai se iluminar
Vivemos a procurar...
domingo, agosto 12, 2007
Moldura (Luis Vilar/ Manaíra Aires)
Entre cálculos e contas de prazos vencidos
Acordei sem ideologia, falida a banca
O que mais me espanta é ter perdido a capacidade de me espantar
Não conseguir estranhar as estranhezas deste lugar
Estradas e entranhas: por onde passar?
Coca-cola, Benetton, Nike e outras piratarias oficiais...
Numa moldura clara e simples, sou aquilo que se vê
Nada mais me espanta, nem os críticos sempre iguais
Suas frases que nascem na garganta sempre certas e superficiais
Nada mais me acerta,
nem o beijo suave, nem a porta aberta
Não há espaço para explosões de pensamentos e sensações
Troca de amor feito envio de arquivo de fotografia
Passar a vista sobre ti feito olhar casa vazia
Tudo congelou num flash, numa luz em que escondiam ilusões
Palavras não me bastam mais.
sábado, agosto 04, 2007
Contando o tempo
As horas em que estive vivo não deu sequer um dia por mês
Entre tudo que eu poderia ter sido, entre os caminhos que desperdicei
Chegou o tempo em que a verdade que em mim reside
Cobra de meu coração o jardim que eu não plantei...
Passei tanto tempo perdendo tempo em ser triste
Que nem vi que você segurava minha mão quando mais precisei
Não posso voltar ao lugar onde a ferida se imprime
Mas ando me reconstruindo em passos lentos
Sem saber se vou ter tempo de voltar a ser
Aquele que te encantou um dia com a poesia que poucos lêem
Andei conquistando coisas caras, mas sem valor algum
Tudo aquilo que em mim hoje mora
São os dias que não vivi e as palavras que não falei
O amor quem aqui e me devora
É o que não sei expressar, nem deixar claro para alguém
E assim as feridas vão ficando abertas
Um cemitério na cabeça que ninguém vê
Onde residem os abraços que não dei
E os sonhos que não realizei...
Para mentir
Não desejo nada de mal para você
Rezo para que encontre novas cores
Que justifiquem a partida
E o teu jeito de não mais me querer
Não pense sequer em mim
Não se interrogue como eu fiquei
Aguardo mais um começo dentro deste fim
Foram tantos que já me acostumei
Não pense que foi diferente com você
Só porque dentre as outras foi a que amei
Pegue a estrada aberta
Nem se preocupe que eu vou me virar
Saia antes que eu comece a chorar
Tem coisas que você não pode ver
Como a cor incerta da minha estrada deserta sem você
Eu até entendo muito bem
Que ao fim de tudo não precisa explicação para partir
Não lhe cobro sequer uma frase
Sequer um discurso, sequer um beijo antes de ir
Só me poupe de dizer adeus
Quando ainda há tantas palavras em mim
Só me poupe de ter que ser eu
Acredite no que digo diante da força que faço para mentir
Sorriso de tele-marketing
A vida me ensina a me recompor ao sair
Parte de mim é pecado
A outra é dúvida do que é certo ao existir
Eu estou na estrada por entradas certas e erradas
Na tentativa de me descobrir
Às vezes a alegria consegue tomar conta de mim
Mesmo quando tudo dá errado
Quando o tempo está fechado
Quando o céu ameaça desabar tangenciando o fim
Eu gosto de sentir
O perigo eminente invadindo o abrigo
Antes de dormir
Eu gosto de estar vivo
Não me falta coragem para ir...
Quem diz que a felicidade está em livros de auto-ajuda
Não sabe ler o que de fato está aqui
Não ando em busca de perfeição nem de ajuste de conduta
Sorrisos de tele-marketing não fazem parte de mim
Eu sou em carne viva
Ausências, retornos, presenças e partidas...
...fazem sim, parte de mim...
domingo, julho 29, 2007
Um conto de fadas para Beatriz dormir...
Fiz uma canção inédita para você sonhar
Com os velhos anjos que trouxeram para mim
Com o amor já cantado em verso e prosa por todo lugar
Com fadas pela estrada
Lobos malvados sendo derrotados pela madrugada
Pelo teu sorriso doce e tão infantil
Cheia de soldados de chumbo que andam com flores
E dispensam o fuzil...
Você vai ver, que eu vou sempre cantar
Enquanto você estiver a dormir
Vitórias de princesas em mundos encantados
Bruxas traiçoeiras que caem do cavalo
Enquanto os sonhos insistirem em galopar
Velarei teu sono com as velas de barcos de piratas
Em mares de aventura onde a maior onda é amar
No lugar de espadas, pirulitos
Sorrisos, gargalhadas e gritos
Nos colocaram para andar na prancha
E agora, pular ou ficar?
Pular em cima da cama, briga de travesseiros com pijamas
É uma terra encantada este nosso lar
Teu velocípede vai virar carruagem no meio da sala
A espera do relógio bater...
...estaremos perdido nas horas...
Videogame, quebra-cabeça e bolas
Eu tenho um segredo que abre portas de um castelo sem rei
Ei, eu vou te dizer: eu amo você...
Chegarei em casa com biscoito e mariola
Será que você me adora? E agora? O que vamos fazer
Brincar de esconde-esconde
Daqui pra frente em cada dor chegarei primeiro pra te proteger
sábado, julho 28, 2007
Vanessa Alencar
Como era antes de você...
...rastros de uma civilização...
...rostos sem razão...
Minha forte inclinação ao desespero
Minha sólida solidão travestida de medo
Eu não sei mais como ser sem você
...restos da minha melhor canção...
...numa melodia sem sentido...
Andar a esmo com o mapa nas mãos
Sempre em busca de mim mesmo
Meu medo de te perder
É quase tudo que eu trago no peito
É meu segredo...é a secreção do meu pior medo
Eu não sei mais
Como caminhar sem você
...estrada em vão...
...estranha sensação...
...de universo finito...
...de que nunca mais serei o mesmo...
Eu não sei nem
O que me trouxe até você
A que se destina o acaso?
Explicação fora...
...da realidade baseada em fatos...
A todo tempo, és o único sentido destes dias tão banais
Uma razão a contento que ainda me permite uma ilusão
A todo tempo, és o motivo de suportar os superfeciais...
Uma fé a contento que ainda me permite duvidar a todo tempo
Do que já nem acreditava mais...
Não vá embora, não me deixa agora
Não me condene ao que foi há tanto tempo atrás
Não vá embora, não me deixa agora
Não me condene ao que já nem lembro mais...
domingo, julho 01, 2007
Diet
Em cada esquina pode acabar
Um novo sonho preso a quilha
Um outro nick para acessar
Não pode passar do ponto
Do ponto de vista de quem prepara o jantar
Cabeças postas no banquete
Diet discussão em mesa de bar...
Para quem espera sinais
O sonho ainda não veio
Passou batido em entrelinhas de jornais
Em dias mais ou menos...
...quando a gente nunca sabe ao certo onde vai
As partes não enxergam a soma
Há armas líricas em todo lugar
Na sala de estar; dentro do cinema
Massagem no ego; mensagem subliminar
Um segundo antes da explosão da bomba
Feito um filme a se revelar
Já não dá tempo de frear o sistema
Novos poemas sobre as ruínas do altar
Para quem espera sinais
O sonho ainda não veio
Passou batido em entrelinhas de jornais
Em dias mais ou menos...
...quando a gente nunca sabe ao certo onde vai
sexta-feira, junho 29, 2007
O mais ridículo poema que já fiz
A gente se aperta pela vida afora em noites frias
Não precisa dança para trazer chuva ou sol
Tanto faz o som do baile na sua companhia
Sou adaptável a diversas situações
Eu caibo em qualquer verso das suas canções
Não vou incomodar quando você estiver de mudança
Basta me encaixar em qualquer lugar onde caiba esperança
Só não me diga adeus antes do meu eu ser teu
Nem depois
Não me diga adeus...não é só por mim
Talvez seja por nós dois...
Não precisa mudar nenhum móvel da casa
Por você, eu entro devagar, eu recolho as asas
Eu como frio para não incomodar com barulho de panelas
Eu morro de calor no dia em que você não quiser abrir as janelas
Não precisa nem me pedir provas de amor
Meu corpo vai de bandeja para qualquer lugar que você for
Não precisa nem ficar sempre comigo
Basta acenar de longe quando eu estiver correndo perigo...
Só não me diga adeus antes do meu eu ser teu
Nem depois
Não me diga adeus...não é só por mim
Talvez seja por nós dois...
quinta-feira, junho 28, 2007
Impressa impressão
De que ainda é possível tentar outra vez
Teus olhos me miram do alto da solidão
Refúgio de tudo...outro mundo com toda certeza...
Você vai chegar e o que trará?
Será como utopias desenhadas em mesa de bar...
Você vai chegar? Quem você será?
Com qual fantasia vai me devolver a vida outra vez
(Sem carnaval, sem euforia...só por mais uma vez...)
E assim, os amores mudam...
...e o amor permanece o mesmo...
E assim, os teus olhos não se curvam
...na insinuante estrada dos desejos...
O amor é uma inédita reprise toda vez...
...estamos aqui mais uma vez...
segunda-feira, junho 25, 2007
29 de Outubro
O que eu não sei dizer:
Eu te amo cada vez mais
Que é impossível sem você
Não sei nem para onde o mundo vai...
Quando eu descobrir que você cabe
No meu corpo, no meu sonho, no que sei ser
Sem você eu nem me vejo mais...
Quando eu descobrir que meus olhos se abrem
Para o que é invisível sem você
Qualquer luz é centelha perto do que me traz
Será que você sabe o quanto penso em você
O quanto me antecipo para cair antes...
...nos buracos que você não vê...
Para que todo dia você chegue em casa em paz
Estou vigiando você...
Mas quando quiser ir, você vai...
Eu queria que você adivinhasse
O que nem eu mesmo sei
Eu te amo sempre mais
Que é impossível sem você
Vem
Só vem me ver
Enquanto o sentido da vida
Escorre pela chuva da manhã
Ontem, teus olhos foram o orvalho da minha história
Acordei com sol dentro do meu salão
O silêncio ainda guarda uma dor que me devora
Mas pode apagar a luz se você segurar a minha mão
Para que possamos seguir estrada adentro, rio afora
Vamos a forra repintando a nossa solidão
Porque não vou deixar
Que a vida perca o sentido
Enquanto chove pela manhã
Aqui dentro você vem comigo
E há sempre sol dentro do salão
Penso em você ontem, hoje e agora...
Não importa o destino que me devora
Se é você quem vem segurando em minha mão
Vem me ver
Só me ver...
A união entre imagem e espelho
O amor é a única raridade que se usa em vão
Encerra os meus olhos vermelhos
Enquanto caminhas em minha direção
Eu também te prometo fazer rir
Para sempre, enquanto houver um sempre, em você e em mim
segunda-feira, junho 18, 2007
Câmera de segurança
Uma chance e nada mais
Tem que possuir beleza
E dela estar sempre atrás
Não pode passar do ponto
Nem ter outro ponto de vista sobre a questão
Não há tempo para apresentar defeito
Tem que colar em silêncio os cacos pelo chão...
Vão querer câmeras de vigilância na tua cabeça
Pense logo e depressa
Este momento é tudo para o que você quer ser
E a dúvida é tudo o que o banquete pode te oferecer
Tenha muita pressa, enquanto teu coração ainda é teu...
Caminho em linha reta...teu coração é quase ateu...
Venda quase certa: um coração que é quase meu...
Tem que ser uma fortaleza
Uma só invasão e tudo se vai
Tem que ter antivírus
Um só download e tudo se desfaz
Tem que se estar pronto
Mesmo sem experiência e sem fé
Só existe um jeito e um caminho
Quem ninguém sabe onde fica e como é
Vão querer câmeras de segurança na tua cabeça
Pense logo e com pressa
Este momento é tudo para o que você quer ser
E a tecla delete é tudo que temos a lhe oferecer
Tenha muito cuidado, enquanto teu coração ainda é teu
Caminho por linhas tortas, teu coração quase ateu
Fé quase morta, mas um coração que ainda é meu...
terça-feira, junho 12, 2007
Copos d'água represados (Vilar e Manaíra Aires)
Segredos escritos nas paredes do porão
A represa vem cedendo
Qualquer copo d’água é inundação
Sem a senha de acesso qualquer excesso te ignora por aqui
Coração pela calçada: porta de entrada em um camelô
Há quem finja estar por perto e se confunda com o amor
É a lei dos sobreviventes...
São sinais de inteligência
À caça de emoções no computador
Eles estão vindo sedentos
Qualquer copo d’água é santificação
Sem o sonho de acesso qualquer sucesso é sem sentido por aqui
Coração com couraça: indústria de massa, banquete sem sabor
Há quem finja estar por perto e se transforme em um ator
É o teatro dos acontecimentos...
É a lei da interpretação:
Frases que parecem casuais
São bem mais causais do que pensamos
Qualquer copo d’água é intencional
A boca do copo d’água na boca do corpo fechado
Sem o selo de acesso qualquer pensamento é excesso de sentido por aqui
Coração de intérprete: a certeza da realidade por trás da venda
Há quem finja estar por perto e se confunda com personagens à venda
São sinais de inteligência virtual
Impressões digitais que saem dos dedos e vão parar na tela do computador
Qualquer copo d’água afoga dígitos finais da conta que se encerra
A cada dia uma nova represa cerra nesse mundo digital
Lágrimas só expelem água salgada na falta de uma essência maior
Sem a sentença de sucesso, na cidade litorânea gotas salgadas não significam nada
Por aqui, coração com calçado de couraça: passos pesados e supervisionados
É o teatro dos sobreviventes que moram ao lado...
É a lei da inteligência interpretada:
Copos d’água são represados
Os desobedientes, do trigo são separados
Qualquer represa é para dissociar
Na onda da água industrializada, maus elementos são afogados no outro lado da tela
Coração com vírus: porta de entrada para uma nova indústria farmacêutica
Há quem finja estar por perto e não perceba que é tudo ficcional
É a indústria que sobrevive das leis naturais, leis que ela mesma criou...
domingo, junho 10, 2007
pausa
sábado, junho 09, 2007
Última edição
Ainda que seja a única opção em vista
Não sei o que virá amanhã
Mas sei com o que não posso conviver, caso eu insista
Eu estive preso, talvez eu mesmo construí as garras
Que me afastaram do futuro que eu esperava
Sei que a derrota aqui é eminência parda
Mas dependendo do ponto de vista
Há quem se sepulte aqui, há quem retorne a vida em nova estrada
Pode até ser que eu tenha escolhido o pior caminho
Ou até devesse esperar mais um pouco
Mas nunca houve hora e frase certa para ninguém
Antes eu estava tão distante
Era indiferente olhar carvão e diamante
E agora com cores novas sei lá o que ainda vem...
...sei lá o que me vem...
Fazia tempo que o espelho não me via
Antes era feito fotografia
Dentro de espaço já recortado
E agora é o mesmo tempo, mas são outros dias
É difícil todo o rompimento
Mas sou eu que digo adeus: quem diria!?
Pode até seu que eu devesse esperar mais um pouco
Mas não se mede a esperança de ninguém
Antes eu andava tão distante
Era indiferente olhar carvão e diamante
Agora com novas cores eu espero o que ainda vem...
Velha peça, novos atos
Em silêncio frágil
Num cotidiano que o distraiu...
Acostumado
A andar no passo
Feito uma ampulheta sem fim
Quando menos se espera
Esteve acordado
Com os gritos da fera
Em meio à selva...
...onde sempre esteve, mas nunca viu
Agora enxerga
Para além das sombras da luz da vela
Luta, briga e espera
Atrás de um sonho que já não tem fim...
Quem diria
Que se colocaria no centro
Desprezo por bandeiras de movimento
Movimenta-se rumo a libertação de si
Quem diria
Que transbordaria com o tempo
Desapego às certezas que construiu por dentro
Quem diria que o muro viria a desabar...
Não dá mais
Há de acontecer um céu aberto no final
Um descanso...sob o pálio
O dia vai ser nosso: espera o sol...
É, eu estou no rastro...
Por enquanto improviso versos sem canção
Em silêncio, em sinapses
Por enquanto improviso sonhos em solidão
Sem medir tempo, sem temer a própria vontade
Na falta da liberdade ainda nos sobra coragem
Para irmos onde a gente quiser...
Se for o medo que torna pesado o teu ar
Feche os olhos para enxergar
E expire o que de fundo vier...
Sempre chegar de corpo e alma
Contagem de corpos e armas nunca nos trouxe paz
Sempre andar sem marcar os passos
Viver de forma horizontal já não dá mais
quinta-feira, junho 07, 2007
Em fogo baixo
Sempre de olho no tempo
Em silêncio e cismado
A espera do próximo movimento
Sempre levando a vida na ponta do lápis
Na espera de um sentimento que escape
E ajude a fazer sentido...
Longe do risco calculado...da surpresa tão previsível...
Se o meu silêncio fosse um canto
Se de fato o acaso tivesse ao menos um norte
Talvez ainda esperasse cair do céu
As chuvas que só nublaram mesmo o nosso olhar
Talvez ainda pulassem do papel
Os versos que nunca estiveram lá
E me ajudasse a ter um sentido
Longe da timidez ensaiada...da moral de improviso
Mas não vou ficar calado
Ainda que não haja força suficiente no grito
Não vou esperar sentado, nem caminhar nos trilhos
O caminho se faz andando
E ainda há muito que correr
Se não me dão alternativa, cavo o outro lado da questão
Se querem soprar sob a ferida, deixo queimar o coração
Chamam de erro de cálculo; batizo de nova opção
Neste dia que nasce com sabor de infinito
A esperança sem sentido anda flertando com a razão...
Por qualquer outro novo mundo possível
Por qualquer chuva que caia sem precisar de previsão
terça-feira, junho 05, 2007
Maré alta
Pés tocando o chão
Castelos de areia de encontro ao tempo
Lentes de aumento sob o coração
Quem estava do outro lado do espelho
Quando o terreno era desconhecido do lado de lá?
Captura de cada movimento
Cuidado com o que se pode falar
Em cada instante, em cada envolvimento
Do alto do céu à vala comum deste lugar
Querem que a razão dite a direção do vento
Enquanto a maré alta engole edificações sem avisar...
Satélites por toda parte
Previsão do que é impossível parar
Se é a vida quem pede um tempo...
...é tempo de despertar...
Enquanto a maré alta engole sentimentos
...é impossível mapear...
Radares para impor verdades
Quando a nova onda virá
De coração e coragem
Estou partindo em busca do que ainda me faz ficar...
segunda-feira, junho 04, 2007
Escritos
sábado, junho 02, 2007
Deixando o barco
Não queira roubar nossa luz para o seu banho de sol
Panela de pressão...peso do passado
Foi a gota d’água na ferida que se mantinha em baixo do lençol
Agora estou em carne viva e explícita
Estive calado ao teu lado
Mas nunca servir de isca ao teu anzol...
De ética todo mundo entende
Para compor o discurso todo mundo a quer
Agressão e agrado são os dois lados
De uma faca afiada que cega a fé...
O que você não entende é que ninguém é um cargo
E que o caminho continua exposto até para quem anda a pé
Lamento se teu limite já foi alargado
Pelo dilúvio das delícias acres do poder
Panela de pressão...banquete que não é do meu agrado
Foi o grão que faltava para tudo ficar mais pesado
A ponto de desabar o que nunca teve alicerce nem prazer
Dar ordens todo mundo entende
Para compro o discurso ninguém as quer
O que você ainda não percebe
É que o ciclo se fecha bem embaixo dos teus pés
Sei que meu grito não é maior do que tanto silêncio
Mas indignação ainda é combustível para fé
Adeus aos grilhões do passado
Estou me lançando ao que vier
Adeus ao peso que foi exorcizado
Bem-vindo ao que o futuro trouxer...
Estou indo de corpo e alma
Fique você de corpo e armas para quem quiser...
(Dedicada à jornalista Vanessa Alencar e as mudanças)
sexta-feira, junho 01, 2007
...
Só para me dar a impressão
De que ainda carrego no coração
Cores para tornar o dia mais fácil
Mas a quem que eu ando querendo enganar?
Vermelho nas Mãos
Passos passionais e sem direção
Que seja para qualquer lado
Azul nos olhos, vermelho nas mãos
Dança de cores, casos não pensados...
E cada dia um novo personagem
Cada momento, letra em vertigem e viagem
Que sai de si da sólida solidão de papel
Quem nos compôs assim
Em carne viva e cores expostas ao sol da ilusão
Quem será que te fez em mim
Com as cores douradas do sol, com vermelho nas mãos
Embriaguez sem uma gota de vinho
Paixão por tanta gente ainda que se ande sozinho
Nudez exposta de uma alma tímida no altar
Medo e desejo de amar...
...se foi no tempo certo, se ainda espera maturação...
...nosso coração é um crime passional...
...carregamos vermelho nas mãos...
Por intuito ou intuição
“Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino”
Dialéticas
Se não fosse esse tal sentimento
Quimeras não morreriam em vão
Se fosse apenas o coração
Devagar e forçadamente, eu ponho os pés no chão
Tantos caminhos traçados
E nenhum mapa trouxe o atalho a se viver
Tanto barulho por nada, e então...
...silenciosamente, eu tento te esquecer
Como quem segue calado
Por que escuta uma oculta força viva
Dentro do nosso silêncio há um som
Que não se apaga entre fumaças e buzinas
Tem certas utopias que eu não sei mais ter
Mas é por tê-las que ainda tenho vida...
sábado, maio 26, 2007
Para quem...
...quando a razão quer tomar conta do tempo...
Para quem despreza jornais...
...e ainda ler poesias em uma rajada de vento...
Para quem ainda acredita
Que não é inevitável uma nova vida
Para quem enxerga jardins em desertas horas
Quem já quis me ver cair, não pode rir agora...
Contra quem prende no silêncio grito
Contra quem tenta unir sentimento e sentido...
Para quem desaprendeu a domar a fera
Para quem não aceita que a quimera já era
Para quem ainda acredita
Que não é inevitável uma saída
Para quem enxerga jardim e desperta as horas
Quem quer me ver cair e não ergue a própria história
Eu estou aqui agora
Sem por a alma para fora eu não existo
Passo em silêncio e batido
Empoeirando o coração e o sentimento...
Não sei passar indiferente
Entre quem ainda canta e quem silenciou
Acho que será assim para sempre
Carne viva e vivo amor...
Para quem ainda crê ler olhos
Diante de quem não enxerga que a gente existe
Para quem ainda crê em sonhos
Longe de quem no pesadelo insiste...
domingo, maio 20, 2007
Segundo exato
Em que foi desencaixado o melhor presente que eu já dei
O momento preciso em que saiu da sintonia o rádio
Em que nossa canção virou pesadelo sem você
Já não posso ouvir o barulho do mar sem segurar tua mão
E apesar do silêncio morto do quarto, faz barulho minha solidão
Como te resgatar...
Se eu soubesse se há poesia, frase ou canção
De tudo que tenho para dá
Você levou e deixou só um corpo no chão
Em que segundo exato tudo terminou
Qual foi a palavra que desfez o que era inteiro
Será que nada foi verdadeiro?
Daqui para frente do que vou cuidar?
Ainda ando vigiando os teus dias
Ainda ando rodando o teu lar...
Eu só aceitei te perder
Porque não tenho mais o mundo
Que você agora precisa para sonhar
Mas estarei aqui, se um dia você quiser voltar...
sábado, maio 19, 2007
Primeiro passo
É fogo cruzado: tua depressão em meio ao carnaval
Anestesiado por uma “nova-inédita” forma de prazer
E quem só quis te ouvir...e quem só quis te comer
Enquanto não chegava nada mais legal...
...para se esquentar à noite, para queima-total?
O que estava oculto na canção
Transborda nos olhos, sem explicação
É teu silêncio...tua condição
Em carne viva, corpo e coração
Esbarras numa esquina qualquer com um sonho real
É o fogo cruzado: entre o amor e o curto-circuito social
Ele disse que viria te ouvir, te daria prazer
Não bateria a porta, amanheceria com você
Enquanto se conquistava o espaço sideral
Em cada passo dentro da noite, dentro do teu local
E o que estava oculto na canção
Transborda nos olhos, sem explicação
É teu silêncio...tua condição
Em carne viva, corpo e coração
quarta-feira, maio 16, 2007
Mortos ao vivo
Religiões e explosões ao vivo...
Do etanol ao individualismo
Tudo anda de prazo vencido
Qual o combustível desta fogueira?
Serão bravatas, bruxas, ou brincadeira?
O fogo queima a noite inteira
E não ilumina a tribo e seus vícios
Quem enxerga reza para cegar
Enquanto o mito é repetido
Em novos rostos do lugar...
E fica só o silêncio
Com medo do aviso: é proibido entrar
Qual é óleo desta máquina?
Serão as lágrimas que passam ao largo?
Quem tem as chaves deste lugar...
Quem detém o tempo, quando é tempo de despertar...
Nada mais nos faz correr risco
Foi calculado e planejado o imprevisível
Timidez ensaiada antes dela chegar
Coração controlado, engrenagens no altar
Quem enxerga sonha por colírio
Enquanto o rito é repetido
Em novas danças no lugar
E fica só o silêncio
Com medo de sair o grito: não dá para agüentar
Seremos mortos ao vivo
No próximo programa popular...
Qual o prazo do próximo prazer?
Qual a validade do que vem nos viciar?
terça-feira, maio 15, 2007
Montanhas se movem em silêncio
Por que tanta precaução?
Se não for para sair do canto de que adianta compor a canção?
Pra que serve um quebra-cabeça depois de montado em solidão?
E o que fazer com as peças que sobraram pelo chão?
Em canto, em cada cor, em cada sonho por aí
Eu não entendo os vícios sem prazer de um cotidiano a te seguir
Muito cuidado com o espelho, não há paredes nessa prisão
Não há represa pra o silêncio quando não houver mais barulho aqui
E eu sei das montanhas que se movem em silêncio
Eu sei do amor que puxas com o oxigênio
Quando ninguém mais está te olhando
Quando não há mais câmeras e você pode dormir
Se foi do jeito que se quis, se não te reconheces nesta dor
Feche os olhos, respire fundo...ainda assim é melhor o amor
Que tantas maquiagens e sorrisos de quem nunca se visitou
Eu ando agora por outro mundo
Eu vou sofrer e vou gozar sem medir riscos ou definir cor
Eu estou pintando outro futuro, inquietação que transbordou
E eu sei das montanhas que se movem em silêncio
Ainda é o teu amor que me faz suportar o tempo
Entre tanta gente normal...
E assim não temer mais o escuro
Não ficar sem futuro, quanto o plano falhar
Ainda é o teu amor que me faz suportar em silêncio
E mover montanhas com o tempo
Em meio a tanta gente normal...
E assim não temer o futuro
Quando ficar escuro, quando a luz falhar...
Real
Mira e miragem dentro do mesmo abrigo
Teu coração às vezes é fogo amigo
Na guerra entre silêncio e ausência de sentido
Talvez seja obrigatório
O sonho contraditório e impreciso
O tempo todo é correr risco
O fim pode ser um novo início
Toda certeza será que é desperdício?
Colher idéias a beira do abismo
Se mudar ninguém sabe o que te esperar
Se ficar é outra história que poderia ser e já era
Tua solidão é um quebra-cabeça
Sempre sobrarão peças pelo vão
Algumas que nunca se encaixaram
Outras que nem preciso são
Foi assim desde o nosso início
Sempre uma distância curta
Entre o inferno e o paraíso...
Foi sempre esse nosso segredo
Vícios sempre prazer e muito medo
Sempre tão difícil de acordar
Qualquer coisa vindo
Qualquer coisa indo
E estava muito bem em nosso conforto secular
segunda-feira, maio 14, 2007
Balada Antiga
Passeamos no escuro, enxergamos passos antecipados
Parece que sabemos de tudo
Mas estamos amarrados ou anestesiados?
Será a morte do Rei ou do Réu
Neste tabuleiro de xadrez mal montado?
Prazeres efêmeros...eternos dias rápidos
Estamos caminhando vazios dentro de metrôs lotados...
A insistência no sonho...o rótulo de mais um otário
O silêncio úmido dos olhos amordaçados
Um outro mundo, atrás da porta do quarto...
Parece futuro, mas é só um museu reinventado
Eu ainda tento te dizer
Que ao amor não é apenas uma balada antiga...
Eu ainda tento ter o que dizer
Enquanto todo mundo já tem suas frases escolhidas
Eu ainda tento não te dizer
Que não dá mais, mesmo ainda tendo saída...
sábado, maio 12, 2007
O Índice Pluviométrico das Lágrimas
Acho que nasci mesmo para caminhar
Sempre tropecei em palavras
Então como dizer...
...que não te conhecia, mas sempre quis te encontrar
Sempre fui deixando as portas abertas para você chegar
Fui matando o tempo, até para não me matar
Com tantos prazeres inúteis, conversas de mesa de bar
Até então não fui feliz
Entre luzes de néon de algum motel
Entre escritos velhos, sangue no papel
Não, eu não fui feliz
Agora só me resta dizer, não posso te deixar escapar...
Quero conhecer esse mundo que eu nunca vi
Longe daqui...perto de qualquer canto que você se encantar
Derrepente o mundo fez sentido para mim
Em meio a tanta gente
Quem disse que comigo, seria diferente?
Estou aprendendo a te amar...a te amar...
Então me desculpe, mas eu vou te achar
Então me desculpe, mas eu vou te achar
Leve algo de mim
Eu não quero pensar na estrada
Nem perder tempo me preocupando com o fim
Nem com o índice pluviométrico das lágrimas
Eu vou tentar é ser feliz
Eu vou me jogar...
sábado, maio 05, 2007
As armas líricas para a ausência da guerra
Da forma mais lírica que poderia me acertar
Parecia uma velha canção de amor
Entoada sobre um novo ar
Sem a presença de nuvens
Que eu costumava ver ao caminhar
Não sei aonde vou...mas sei com quem quero estar
Eu vou ser feliz
Ainda que um pobre aprendiz
De toda dor que eu puder beber aqui
Às vezes rezo para não conseguir evitar
A cada tropeço em mi mesmo, eu vou tentar
Aonde estiver você, lá será meu lar...
Já tinha desistido de caminhos diferentes
Já tinha me esquecido como são os olhares inocentes
Diante de um pecado impossível de deixar passar
Se é que é errado...se é que é errado errar...
Eu quero ser feliz
Ainda que um pobre aprendiz
De toda dor que eu puder enxergar em mim
Às vezes rezo para não conseguir evitar
A cada tropeço em mim mesmo, eu vou caminhar
E em qualquer lugar que você estiver...
...eu estarei em uma foto...
...na carteira, na tua lembrança, no teu olhar...
Será lá o meu lar
sexta-feira, maio 04, 2007
Peças de quebra-cabeça
Às vezes eu só quero saber
Onde as velas me levam
Onde é possível chegar sem querer prever
Sem buscas exatas
Sem fotos ou mapas
Ancorar em meio à tempestade
Só para testar o terreno em meio à liberdade
Às vezes eu só quero saber...
Compor o poema sem pensar nas palavras
Deixar o rio correr para o mar
Sem pensar em certezas
Para que servem as peças
Depois de montado o quebra-cabeça?
É o que eu ando a me perguntar...
Para que servem as peças que ficaram pelo chão
Depois de alçar vôo com meu velho bimotor coração...
Vai demorar, mas eu estou chegando
Vai demorar, mas eu vou chegar
Não sei para onde
Mas sempre parti em busca do que me faz ficar...
Quais as razões? Se é que razões há...
Hoje eu estou chegando, uma possibilidade diferente
Uma cor nova que é só da gente
Paira neste céu que poucos insistem em enxergar
Compor um poema sem pensar no que possa despertar
Sem medir raio de alcance
Sem alças de mirar, ou radar...
Feito para pessoas como você e eu
Feito pela necessidade de narrar...
Vamos de vôo rasante
Que às vezes eu só quero saber o que fazer
Com as peças que irão sobrar...
segunda-feira, abril 30, 2007
Sair puro do porão
Desperta teu coração ateu
Sob nuvens de óleo diesel que escondem o céu
Tua solidão é sólida e sem sinal de sol
No subsolo da tua alma o silêncio traz uma canção
Você pulsa longe dos mapas da moral
Está no teu rosto: a fera adormecia anti-social
Incompreensível feito a tua condição
Um coração sem abrigo cumprindo condicional
Nos corredores cheios de aviso da razão
...metrópole, megalópole, mega produção...
É como morrer de fome no supermercado
Por não ter vis metais...símbolos cruzados...
É como só ter ar puro dentro do porão
Por excesso de carbono nas nuvens da ilusão...
A loucura faz parte da tua transpiração
O desejo que invade tua alma
E canta em silêncio a tua canção
E lava com calma o teu coração...
Um surto, um susto...
...não há backup para salvar sensações
...vai no córrego das águas, nas paixões...
Ficaram nas fotos, nas prisões
Aliviaram dias tristes
...mas nada mais...
Se você não vive, não existe
...qualquer coisa tanto faz...
E aí é só esperar: black-out total
É como conter impurezas em meio à transpiração
Quando é necessário mudar sem dar satisfação
É como buscar ar puro dentro do porão
Quando é necessário lutar sem ter previsão
De chuva ou estiagem, vitória ou perdição...
O desejo faz parte da tua condição
É organismo vivo em meio à putrefação
Dos grandes prédios, shoppings e urbanização
É como precisar dormir
E nunca perder a lucidez, nem a noção
É como precisar sair
E só ter ar puro no porão...
...ar puro no porão...
domingo, abril 29, 2007
Organismo Vivo
Pôs a cara no sol é pra ser iluminado
Aquele sonho que andava esquecido
Feito um organismo vivo e congelado
O que desperta e aquece o teu sorriso
Enquanto teu coração anda distraído
Sem saber o que procura no corpo ao lado
Nem é bom pensar muito nisso
Mas, é melhor achar ou ser encontrado?
Ontem eu acabei sonhando com um novo início
E os primeiros passos vinham do passado...
Algum sonho que deixamos perdido
Algum rosto em camisetas foi mal explorado
Apesar do lucro certo e líquido...vendemos tudo tão barato
Não é máquina...é organismo vivo
Não se lê pelas estatísticas
Nunca foi programado
Saiu na chuva é pra correr risco
Apesar de todos os remédios controlados
Queimem bruxas a noite inteira
Não é possível segurar o inevitável
Está todo mundo se iludindo em sessão de cinema
Fora do escuro o esquema é montado
Um dia acaba ou queima o filme...(é inevitável)
Não é máquina...é organismo vivo
Não se lê pelas estatísticas
Nunca foi programado
Saiu na chuva é pra correr risco
Apesar de todos os remédios controlados
É organismo vivo...somos organismo vivo
sábado, abril 28, 2007
Saíndo de cena
O sorriso da minha filha brilha aqui dentro...
Como folhas de outono, caem utopias
...mas conservo flores em meu peito...
Parece até ironia
A primavera aponta em pequenos gestos
Como amar uma mulher no ¿dia-a-dia¿
E não dever a cabeça ¿aos mais espertos¿
Nada acabou ainda
Ainda sinto o coração bater sem etiquetas
Ontem sonhei com outro mundo
Sem mensagens nas camisetas...
Parece bobagem
Ser feliz a margem de tudo que se engrena
Mas já que não fazemos parte da miragem
Ou a gente se defende, ou sai de cena...
Nada acabou ainda
Não perdi a fé nos pequenos atos
Ontem sonhei com meu pai lendo poesia
E compreendendo alguns dos meus passos...
Parece bobagem
Ser feliz no meio de tudo que eles encenam
Mas já que não fazemos parte da miragem
Ou a gente se ama, ou sai de cena...
segunda-feira, abril 23, 2007
Adeus
Da sólida solidão do subsolo de mim
Sobras e sombras sobram por aqui
Onde vou, vou no vento
Vem vindo vultos velhos por aí
A cidade é ácida para se viver
O tempo tem posto a esperança a esperar
Arte é artifício para sobreviver
O silêncio solidifica a dor neste lugar
Não aprendi a encarar prédios
Não sei dormir sob efeito dos remédios
A sensação de insegurança me dá pavor
Se vou sair, se vou voltar
Eu já nem sei
Se estou a dormir, ou acordei
Se vivi, ou se só sonhei...
Ontem eu cheguei em casa
Ninguém para me recepcionar
Você lava os pratos de asas cortadas
Quem lhe fez esquecer de voar?
Eu tiro os sapatos, desafogo a gravata
E o nó na garganta não sai do meu eu
Acho que a gente anda vivo por quase nada
Só falta mesmo dizer adeus...
Como lhe explicar esta paz...
Amor não foi feito para se entender
Viver ou deixar pra trás...
...nada mais...
Não quero nem que você me ouça
Se nem mesmo sei o que dizer
Você acaba de chegar
Como lhe explicar esta paz...
Quando você sair, talvez até te ame mais
Se é que há medidas quando penso em você
Aonde a gente vai?
O lugar é outro sem te ver
Cada passo distante são quilômetros de saudade
Quando caminho sem saber porque
Com os braços abertos eu sofro, mas desejo só liberdade
Ainda que seja alheio a tudo que sonhei
Então, que você saiba
Que meu lar é a casa onde estiver você
Meus olhos seguem sinais...
Então, que você sinta
Sem que seja preciso eu lhe dizer
Que amo você, agora muito mais...
sábado, abril 21, 2007
Sem espelho
...quando atravessei o rio em busca de água?
Enquanto a esperança amarelava...
...onde você estava?
Eu aqui preso ao infinito
Tomando o impossível como um vício
Expondo-me ainda que em silêncio...
E você? Onde você estava?
Onde você estava...
...quando o amor foi maior do que imaginava?
Quando a dor foi maior que qualquer ensaio...
Onde você estava?
Para me julgar com a precisão cirúrgica
De quem nunca foi além dos mitos
Para me condenar com a força bruta
Das certezas que só obedecem a ritos
E você? Onde você estava?
Nos dias indiferentes?
Em que tanto fazia a chuva e o calor?
Quando o mundo foi intransigente...
...aos sonhos que a gente cultivou?
Onde você estava?
domingo, abril 15, 2007
Ventre
Por isto a dor que eu sinto, traz um pouco de contentamento
É que diante do dia que esqueceu que eu tenho direito de existir
Eu sei que em algum lugar você pensa em mim
Enquanto caminho com os olhos sendo enxugados pelo vento
Quando os meus amigos me esquecem
Quando o cartão de crédito estoura o limite
Quando o tempo é vazio e inerte
E eu sou um castelo de areia no fim do teu arco-íris
Eu me flagro com a sorte que eu sei que tive
Fui sorteado pelos teus olhos numa loteria invisível
Você pode até nem ser metade de mim
Mas antes de te ter, nunca fui inteiro ao estar aqui
Minha mulher é uma casa, é um ventre
Que quando o frio e a tempestade me faz bater os dentes
Ela me abraça quente e faz o mundo sumir
Eu acabo por renascer numa ciranda que não encontra o seu fim
Força nova a cada amanhecer
Minha mulher é o que de melhor eu pude fazer por mim
Se não for com ela
Vai colidir com o calor
De um sonho que ainda vazio
Em instantes alguém despertou
Não saberás se é pesadelo
Ou enfim teus olhos encontram a imagem mais bela
Não saberás se é outra alma ou um espelho
No dia em que tu encontrares com ela
Mas ainda que acabe em algum instante
Nunca mais será possível dizer adeus
Sempre tem alguém que muda tua rota constante
Com o elemento químico inconstante da dor
Será difícil separar
O medo de cair e a necessidade de voar
O dia de sair a hora de regressar
A felicidade vai estar...
...agregada a possibilidade de tua maior tristeza
Será inevitável a escolha...
...mesmo não havendo sobre a mesa nenhuma certeza
Você não sabe se ela vai querer
Ter filhos com você
Mas você oferecer a era todo o seu esperam
Você não sabe se ela vai querer
Ter um futuro com você
Mas vai estar com ela todo o futuro que você espera
E não serão palavras que trarão sentido
Porque não haverá tradução para o vital improviso
Será teu melhor momento, ou a promessa em vão
Será o encontro com a tua metade
Ou acréscimo em dobro a tua solidão
Eu só sei que você não vai lembrar
Como era existir antes dela
Eu só sei que você vai achar igual
Condomínio de luxo e favela
Se não for com ela
sexta-feira, abril 13, 2007
Paz(lhaçada)
Aliás...o que é o paz para você?
É não ter pelo que lutar?
É não ter mais o que dizer?
Em casa, você diz que não puxa o gatilho
Junto com ninguém...
Mas onde você estava
Quando puxaram o gatilho para alguém
Se não é responsabilidade nossa
Ótimo, não é de responsabilidade de ninguém...
Então vamos lá
Esperar pela paz
Esperar, esperar, esperar...
Qual é o melhor lugar para esperar pela paz?
Dentro do supermercado
Nas redações de jornais
Comprando cercas elétricas e vidros blindados
Do lado de dentro de abrigo antibombas
Não aparecendo, nos escondendo na sombra
Enquanto continuam explodindo tudo por aí
Qual é o melhor lugar...
Se no mesmo canto onde se espera a paz, pode chegar o fim...
Se não é responsabilidade nossa
Ótimo, não é de responsabilidade de ninguém...
Então vamos lá
Esperar pela paz
Esperar, esperar, esperar...
Qual será o melhor lugar
Para estar quando paz chegar
Assistindo TV a espera do milésimo gol
Ou em um show de rock in roll
Em qual lugar?
Em qual lugar?
A paz não há
A paz não há?
A paz não há nem para quem vai a cruz?
A paz só há para quem vai a passeatas?
A paz só está nas canções mágicas que nos seduz?
A paz não está no morto estendido na calçada?
Pessoas
Que andavam sem contar o tempo
Que ouviam canções dentro do vento
Que tinham bússola dentro do coração...
Eles ficaram por ai
Entrando de ré na contramão
Estão tomando remédios para dormir
Ou seguem livres dentro da prisão?
Elas ainda moram no interior
Mesmo passeando em shoppings lotados
Elas ainda dão o maior valor
Ao que não foi produzido em larga escala no mercado
Elas andam com seus cabelos brancos
Como um cisne que vive cantando
Possuem a vida nas mãos, mas em outro fuso-horário
Para onde foram estas pessoas
Que ainda se olham no espelho acreditando serem os otários
Elas tinham palavras com sabor
Em velhos discursos improvisados
Não possuem senha para o amor
Nem vivem de compor arquivos que serão deletados
terça-feira, abril 10, 2007
Inteligível (Luis Vilar/ Vanessa Alencar)
Até onde for inteligível
Tenho que acreditar na minha oração
Fé no que enxergo em silêncio
Na dança nas entrelinhas dos acontecimentos
Agir sempre somando
...explosões de desejos às luzes da razão...
Até onde for possível
Até onde foi inteligível
Sonhos de encontro ao vento
Castelos de areia em movimentos
Seja eu daqui ou não
Nas entrelinhas do que eles estão dizendo
Agir sempre compreendendo
...explosões de sentimentos sob a pressão da razão...
Já conversamos 510 vezes
Sobre o impulso de pular dos prédios
E a conseqüência de tantos remédios
Sobre a nossa órbita e tudo ao redor
Só que às vezes é saco plástico na cabeça
É inútil a voz de qualquer certeza
São sobras de sentimentos versus sombras de razão...
Se não dá para ser no mundo lá fora
Que tenhamos o nosso mundo agora
Onde o limite seja eu e você
...só eu e você...
...só eu e você...
domingo, abril 08, 2007
Colagens
Hoje eu vou sair apenas com um papel
Para compor uma poesia
Ou então desenhar um céu
Onde eu possa me visitar algum dia
Quando sobrar tempo para amar...
Cansei de estar cansado
De sair de casa sem saber se vou voltar
De assinar papéis timbrados
Para provar que eu não andei errado
Quando tudo que quero é o direito de errar
Hoje eu quero me livrar das fotos 3X4
Das lembranças, dos sinais e dos horários
De qualquer lugar onde eu tenha que chegar
Esquecer dos planos certos
Atravessar mais de um deserto
Para encontrar em qualquer canto um lar
Hoje eu vou ser feliz
Nem que seja pintando o meu nariz
E dançando na rua por onde você vai passar
Talvez eu contagie cegos
Ou quem sabe incomode egos
Mas os meus acordes, eu vou soltar...
Batendo as portas
Eu caminhei demais para não chegar
Nem sei mais o que deu no fim
Ou as vantagens das dores que acumulei
Agora eu quero dar o próximo passo
Sem ter que me preocupar com o espaço
Ou onde eu vou pisar
Quero sair a pé por entre os carros
Mil acasos deram no caso perdido que eu sou
Sem caminhos eu me arrasto por onde eu vou
Vou bater a porta e ninguém me espere voltar
Hoje é o dia perfeito para o vento me levar
Sem direito a minha auto-sabotagem
Sem os velhos planos de milhagem
Que acumulei sem nunca usar...
Se a gente tem pelo menos um dia para ser feliz
É hoje que eu vou sair para tentar
Se a gente tem pelo menos um motivo para sorrir
É hoje que eu vou sair para encontrar
E tudo pode estar no lugar de onde partir
Pode estar...
Vou estar longe daqui, não me espere voltar
Pois vai ser natural, você vai ver que eu vou retornar
Para a única coisa certa que eu fiz na vida:
Perder-me sem perceber a força de te encontrar
O som da porta batendo será uma canção
Prometo entrar em passos lentos dentro da tua solidão
quinta-feira, abril 05, 2007
O romance inabalável da bailarina com o vento... (Luis Vilar/Manaíra Aires)
Bailarina que dança só para não deixar a canção morrer
Curvas líricas que mostram a cara
E eu já nem tenho freio e nunca tive de me perder
Talvez porque aqui nunca foi bem o meu lugar
A cada pôr-do-sol a busca de novos dias
Nem sei se é físico, ou de alma
Nem sei se é real, ou são poesias
A leve sensação de que qualquer lugar já não serve mais
É preciso destruir, reconstruir...caos que antecede a paz
Talvez realizado, mas nunca feliz
Acho que falta sempre algo por faltar
Como quem assobia uma canção só por ouvir
Versos invisíveis que sejam paredes de um lar
Uma fronteira palpável dentro de mim
Não me deixa rir do circo montado em forma de altar
O universo de pequenas dimensões
O apertado infinito das nossas solidões
O sonho que na noite ainda nos beija
O sol em nosso peito que ainda lateja
Em busca do que iluminar
É covardia ou coragem
Abandonar tudo em nome do que bate no peito?
É ilusão ou é viagem
Acreditar que em cada passo ainda haja jeito?
Crescer não dói. Lateja.
segunda-feira, abril 02, 2007
Novo combustível (Luis Vilar/ Manaíra Aires)
Salvação nas farmácias
Etanol e meditação
Quebra de barreiras: “adios; gratias!”
Lucro líquido e certo
Petróleo em putrefação
Nova combustão pra o Estado
Novo consumo de ilusão
Eles serão por nós...
...nos acertarão em cheio...
Eles serão nossa voz
...não sentiremos nem o cheiro...
Eles lucrarão a sós
Em um novo futuro que não veio
Tecnologia biodisel
Medicina ortomolecular
A senha no preço dos sonhos
Para quem ainda ousar sonhar
Prisão de luxo em prestações suaves
Cabem em qualquer bolso
Feito a vida que em qualquer canto cabe
Após a tudo se acostumar...
Eles serão por nós...
...nos iludirão em cheio...
Eles serão a nossa voz...
...nadando em rios de dinheiro...
Eles lucrarão a sós
Com motores a base de hidrogênio
E nós seremos sempre os ingênuos
Vestidos de vermelhos
Bandeirolas nas mãos
Lágrimas nos espelhos
Mas, eles lutarão por nós...
Estaremos sempre do meio pra baixo
Nunca no topo dos nossos anseios...
Sempre do meio pra baixo
Sempre pelos fins, que justificam os meios
quarta-feira, março 28, 2007
Da Fé
Juventude guardada em algum lugar
Quanto tempo faz que não saímos para a vida?
Quem foram os primeiros a nos desarmar?
Nós não compomos aquela canção
Que teve seus primeiros versos ensaiados no porão
Ficou no subsolo da alma
Contido em uma disfarçável solidão
Nunca suportei supermercados
Não sei passar muito tempo dentro de farmácias
Ainda que hoje esteja amarrado
Posso sentir as minhas asas e o meu coração
Se a fé que nos trouxe até aqui
Não encontra luz suficiente e quer se extinguir
Deixe-me um pouco sozinho
De olhos fechados ainda enxergo o caminho
E quando menos se esperar, vou ter aonde ir
Nunca suportei estas micaretas
É difícil viver sem ter água pura
Nunca saquei filosofias que estampam camisetas
Com caras póstumas e cores escuras
terça-feira, março 27, 2007
Mas nunca soube descrever o amor
Canto que nunca se encerra
Saber de cor as cores...
De um retrato preto e branco
Lembrar de todos os odores
Descansar entre as tuas pernas
Acho que é tudo isto
Mas nunca soube descrever o amor
Errar pelo melhor motivo
O peito aberto e feliz
Sentir-se bem em estar vivo
Apesar do medo de você querer ir
Pintar a quatro mãos
O retrato de um dia comum
Dividir de coração
Alegrias inéditas em lugar comum
Acho que é tudo isto
Mas nunca soube descrever o amor
Viver de exageros
Vestir a felicidade em um corpo nu
Não ver a hora de chegar em casa
Chuva lá fora, aqui dentro céu azul
Acho que é tudo isto
Mas nunca soube descrever o amor
Achar qualquer poema bonito
Abajur acesso com o ouro a dormir
Amanhã o mundo volta
À noite nós vamos sair
segunda-feira, março 26, 2007
Off Line I e II
Esta semana um grande companheiro de Literatura, Lee Flores, publicou coisa nova em seu blog. Chama-se “Off Line”. Bateu com uma idéia que eu tava na cabeça, mas não conseguia concretizar...Resolvi tomar emprestado uns versos do companheiro de viagem...e escrever Off Line II. Abaixo segue a original de Lee Flores.
Off line II (Luis Vilar)
É fácil sentar para esperar amanhecer
Ficar off line, quando necessário desaparecer
Não afirmar, nem sair do lugar
Ter todas as certezas só por medo de mudar
É muito fácil não se prender
Quando ética e éter não faz muita diferença
Quando não há crises sobre crenças
Surfar no aquário e acreditar ser o melhor do mar
É muito fácil deixar o piano cair das costas
Abdicar da própria composição por ninguém escutar
Ser leve ou leviano sobre as conseqüências impostas
Escutar o rádio na estação em que todo mundo está
Para nós, quando o melhor da vida bate na cara
É difícil, eu sei...
Mas para nós, a poesia da vida é coisa tão rara
É difícil, mas eu já sei
Que vamos ter que entrar de sola
É muito fácil não perder gol quando nem se toca na bola
E ainda assim condenar os atacantes pela TV
Não queremos dormir tranqüilo
Que venha o peso do mundo sobre nossas costas
Não queremos ganhar ou perder estilo
O nosso papo não é com ondas, nem com modas
Off Line (Lee Flores)
É fácil ficar no meio
entre o dito e o não dito
entre o feito e o não feito.
É muito fácil não se prender
não ser ética
não ser eter
surfar entre as escolhas.
É muito fácil não carregar o peso do mundo,
ser leviano é tão leve.
É tão leve se desligar,
aparecer off-line.
Pra mim a poesia da vida é tão cara.
Eu não quero dormir tranquilo.
Quero o peso do mundo todo em minhas costas.
domingo, março 25, 2007
Previsão do tempo
Hoje em dia o tempo é de vendaval
Filosofia por e-mail...
...auto-ajuda tão artificial...
A verdade sempre acaba indo mais cedo
Do que previa o jornal
Não é sempre que alguém vai nos salvar do tempo
Não é sempre que alguém vai ter tempo para nos salvar
Do it yourself no limite
Não adianta apelar para uma canção popular
Qual a razão deste medo que carregas no olhar?
Hoje em dia o tempo é de chuva e temporal
Será nebulosidade do céu, ou umidade do olhar?
Hoje em dia o tempo é de achar violência natural
De quem será o próximo corpo
Qual é a dessa linguagem corporal...
(Quadris que se movimentam sem ter o que falar)
Não é sempre que alguém vai nos salvar do tempo
Não é sempre que alguém vai ter tempo para nos salvar
Do it youself no limite
Não adianta acreditar em refrões de canções popular
(depois do show, o astro se tranca no apartamento)
Previsão de tempo:
Raios de otimismo com pancadas de razão no fim de tarde
Garoas de idealismos com brisas de liberdade
sábado, março 24, 2007
Dentro do silêncio
Olhos de águia sob a nossa solidão
Andam explorando nossa paciência
Com prazeres efêmeros em larga escala de produção
Nosso coração está em linha de montagem
Nossa liberdade está na escolha do padrão
Qualquer sinal de um futuro incerto
É audiência em meio a esta confusão
Ondas gigantes...florestas com deserto
Fé sem perspectiva...fúria sem explicação
Há quem confunda fogos de artifício
Com a luz da razão...
E eu caminho incerto dentro do silêncio
Venha, vamos nessa, já que o futuro não veio
Quem foi que quis cabecear
Antes de baterem o escanteio
E eu ando a pé, meu tempo ainda é lento
E eu me emociono com pancadas de vento
Sem ter mais...
...eu questiono e aceito o tempo...
...ao abrir jornais...
...dentro do meu silêncio...
E se não há outro futuro
Eu mesmo faço o furo no muro
Para enxergar o sol que está lá e ninguém traz
sexta-feira, março 23, 2007
"V"
Mas com certeza teus olhos tem algo haver com isso
Porque se não fosse você
Teria sido pior as pancadas e os vícios
Que eu tenho levado e tido, ainda que sem merecer
Eu não sei o que me faz envelhecer
Ainda acreditando no que sonho e no que vivo
Só sei que não fosse você
Seria como enxergar frestas de luz em um hospício
Sem perspectiva de cura ou de entender
Você não sabe o quanto me mantém vivo
Um dia eu farei uma canção para você
Sou esperando aprender como você faz...
....de cada dia um novo início...
Luz da razão
Tudo o que não passa de uma ilusão
Tanta gente construindo muro
Para reclamar da solidão
Tanta gente que tem tudo e não tem noção
De que há algo mais importante que a luz da razão
E eu estou calmo no meu canto
Sob o véu do silêncio eu trago uma canção
Eu fecho os olhos e vejo um outro mundo
Onde meu coração desembarcou
Hoje eu sei de tudo
Tudo o que preciso para ser quem sou
Teu sorriso, teu olhar, teu sabor
Lá fora é de concreto prédios, inteligência e emoções
Vamos morar em uma pequena cidade
Nem que seja em nossa sala de visitas sem televisor
Chega um ponto em que ninguém mais acredita
Seqüestraram quem nada tinha e cobraram o mais alto valor
Chega um ponto em que ninguém mais acredita no que restou
Mas eu ainda acredito
Que o tempo vai deixar vivo
Não é por decreto que matarão o amor
Pode até ser excesso de otimismo
Mas quem disse que há outra opção
É acreditando ser possível
que ainda se pode despertar
Quem hiberna tão contente
entre as novidades desse lugar
Vai esquentar o mundo, outras ondas vão passar
segunda-feira, março 19, 2007
Beatriz
Como um satélite especializado em você
Sem me importar em ser distante
Para não te sufocar quando você quer correr
Às vezes tento até tropeçar antes
Vou lembrar de tudo sobre você
Até do que naturalmente com a idade
você vai aos poucos esquecer
Vou te colocar no meu castelo imaginário
Mesmo sabendo que você nunca vai entender
E vai correr pelo mundo a fora
Para sofrer as dores das quais quis te proteger
Vou esbarrar com conselhos em teus ouvidos fechados
Vou levar o nome de quadrado
Estar por muitas vezes redondamente enganado
Para depois você vir me abraçar e perguntar o que fazer
Mas eu quero ser este porto
Sem outro barco por perto a não ser o teu
Onde por último você ancora
Para do jeito que for eu amar você
Porque para mim não há nada
Que eu ame mais que você
Quando chega o fim do dia, que você dorme sossegada
Se você abrir os olhos verá os meus
Porque para mim não há mais nada...
Não digo adeus
Se são frases soltas, ato falho, ou algo da TV
Nunca soube ver o amor acontecendo
Por mais singelo e em carne viva que ele possa aparecer
Meu lirismo sempre foi áspero e contra o tempo
Nunca foi bom em me revelar
Mas tua ausência anda me corroendo
E eu não pude evitar...
De escrever um bilhete tão breve assim
Para dizer que só eu sei que quando eu te conheci
Eu fiquei sabendo uma verdade inédita sobre mim
Eu passei a me conhecer de um ângulo que nunca me vi
Não sei se te chamo de metade ou espelho
Nesta carta tão informal
Meu coração anda mudando de endereço
E eu nem sei se isto tudo é bem ou mal
Medo de ser engano ou ser pouco é natural
E saiba que se um dia tudo ruir e ficarmos sós
Que a gente saiba dizer um ao outro adeus
Sem nos despedir do que houve de melhor entre nós
Então eu não digo adeus
Por mais que o até logo seja eterno
Então eu entrego a Deus
Mesmo que este seja o caminho do inferno
Mesmo que este seja o caminho até mim
E se acabar e despertar a fome
Devorarei o silêncio ao sabor do teu nome
Mas não digo adeus
domingo, março 18, 2007
teu medo modesto
Meu silêncio duro feito muro
Falta fé no futuro
Mas eu já não posso parar
Sem ajuda por perto
Há sempre quem queira mais
Por mais seco que seja o deserto
Há sempre quem só queira sugar
Você finge já nem sentir dor
Teu sorriso esconde teu medo modesto
Você tenta ainda crer em amor
Por mais que o coração seja placo de protesto
Sem saber ao certo o que é bem ou mal
Pais, mães e filhos puxam gatilhos
Entram pela porta do mesmo ritual
O que ainda nos guarda do perigo?
Nós seguimos calados
Implodindo gritos
E a violência por todos os lados
E o nosso lado é sempre o de maior risco
O sangue que talha no cotidiano
Esconde a profundeza do corte
Estamos estacando a hemorragia
Sem perceber para onde o rio corre
terça-feira, março 06, 2007
Maria
...on the road again...
Você se foi antes que eu pudesse dizer
O que eu nunca diria com você aqui
Porque hoje eu tenho tanto medo de morrer
Depois de ter visto você partir
Sua presença física não mais vem me visitar
Mas ainda não consigo acreditar
Que você nunca mais estará aqui
E já faz tanto tempo, mas o tempo sequer passou
Cada vez mais você caminha aqui dentro
Faltam pessoas assim no mundo onde estou
Olha por mim, para quando o quarto ficar deserto
Eu ganhe o dom de criar uma canção
Para sempre ter você por perto
Para nunca ficar só dentro da solidão
Ainda que seja numa simples canção
Nas coincidências que passam despercebidas
Ainda que seja só dentro da minha ilusão
Entre as dores que se confundem com o sentido da vida
Eu quero te ver aqui por perto
Eu vou reaprender a ter ilusões para voltar a ter
...você por perto...
segunda-feira, março 05, 2007
Longe de nós
Para julgar se eles rompem, ou devem voltar
Do lado de fora de quem compõe a canção
É fácil colocar um outro verso no mesmo lugar
Mas não há previsão para tudo o que a noite traz
Quem sabe mesmo de tudo que se capaz
De transformar uma história em pó
Saber a hora certa em que sai o sol
É simples demais falar da altura da razão
Quando não é nosso o coração em rota de colisão
É sempre mais fácil falar...
Em redomas e sem restos a pagar...
Sempre vai ter um mapa pronto pra você
Escrito com cuidado por quem não tem nada a perder
Caso você perca ou corra o risco de ganhar
É fácil traçar estratégia, quando é outro que vai atacar
Longe de nós, todos saberiam exatamente o que fazer
Todos teriam a palavra certa para dizer
Saberiam exatamente onde ficar
Seria de outro jeito...seria em outro lugar
Mas longe de nós, não há a batida de nossos corações
Causa e conseqüências não seguem apenas previsões
Nem tudo fica exatamente onde se estar
Não haveria outro jeito...não existe outro lugar
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Conservantes
Mas não tenha medo
Eu sei que querem quebrar teu coração
Eu sei que querem cegar o teu espírito
Confundindo barulho com canção
Estratégias de guerra com ritmos
Vão entrar pelo rádio e pela tv
Não vão pedir licença para ficar nas paredes da sala
Vão querer levar você pela coleira
Bater em sua cabeça até que você veja estrelas
Vão querer lhe drogar sem picadas de agulha
Na lata de conservas, salsichas e gorduras
E não há como ser salvo
Só resta a integração: loja de conveniência e coração
A explosão que brota do silêncio
Eu estou no meu lugar
Lá fora não há mira, mas todo mundo é alvo
E há quem acredite que será salvo
Esperando sempre no mesmo lugar
Será que há verdade certa para esperar?
Ou será só a luz nostálgica de estrelas mortas
Será que há estrada certa para se pisar?
Ou será só a espera do que já nem importa
Quando escuto o som dos dias
Revelam-me coisas não ditas
Escorrem entre os dedos poesias
Você me olha triste, mas não sabe...
...que eu já voltei de dores que seriam infinitas...
Eu já voltei...
Eu não poderia parar agora
O meu lugar eu faço andando
Não há como contar outra história
A minha música eu faço cantando
Nem sei se é cura ou doença
Mas ainda me incomodam velhas crenças
E por falar em lar...
...é qualquer lugar onde o amor possa me visitar
Fotografia
Do meu sorriso buscar os teus olhos
Quando a própria razão nos desafia
Quando é impossível suportar o dia
E a gente ainda crer em poesia...
Será que existe razão
Para o otimismo no qual a gente ainda espera
Novas fotografias para cenas velhas
Flores que só se abrem para raras primaveras
Na força da emoção, razão não nos inibe
Seguimos cegos ou continuamos firmes?
Não vamos deixar que o tempo nos torne invisíveis
Ainda que o grito seja menor que o silêncio
Ainda que haja mais fumaça que incêndio...
Ainda que sejamos obrigados a acreditar no impossível
Mesmo sem saber ao certo a razão
Dos meus passos buscarem melhores dias
De não ficarmos presos a fotografias
Se é que existe uma razão
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Sob céu nublado
Dou as cores que não vejo lá fora aos versos que invento
O tempo é frio e nunca está do meu lado
Faz calor aqui dentro
Será que água do mar é a mesma do meu aquário?
Será que escafandristas vão desarrumar o meu armário?
Será que meus netos escutarão os ecos que deixo no vento...
Assumo em público as minhas posturas
Viram torturas no meio das pessoas mesquinhas
Ainda que as dores que carrego sejam só minhas
Às vezes vôo leve e livre apesar do peso do medo
Às vezes desato a falar e não escondo os segredos
Sim, eu tenho muitos horrores...
Medo de voar, medo de fechar a porta ao sair
Medo de morrer e Deus existir
Medo de usar de mais a razão e perder a emoção
Sempre estou pensando nos problemas que ainda não vieram
O carro que quebrou, o cano que estourou, os dias que já eram
Chega
Para ter razão de viver, renovar o que já fiz por amor
Ao invés de perder meu tempo a pensar
Em quem me suga sempre assim
Retirando sem notar o que há de melhor em mim
Eu conduzo incapazes ao sucesso vendendo barato o meu dom
No final sou eu quem pago o preço
Por encarar a pior metade do meu ser já perto do meu fim
Se é que há mesmo metade, se é que de fato sou dois ou três
Já que em solidão eu sou mesmo uma multidão em mim
E se for para dar conselhos, venha sem me dizer nada
Se for para trazer espelhos, poupe-me das minhas próprias caras
Nada do que você me diga, eu posso dizer não sabia
Já que sei o quanto escapa fácil um pouco da minha alma a cada dia
Minhas melhores roupas...
...foram gastas em circunstâncias que não me agradam
Minhas melhores louças...
...bancaram jantares para amantes sem graça
Foram tantas pedras quebradas até te encontrar aqui
Só mesmo os teus olhos enxergam o que há de melhor em mim
Coração Bipolar
De rever as cartas
Mudar e se reencontrar no mesmo lugar
É preciso tempo ao abrir os olhos
Para acertar o foco e saber diferenciar
O que é real e o que é desejo no nosso olhar
O que será que ela quis dizer quando resolveu se calar?
Quem vai entender que o que mais ela queria era viver...
...quando resolveu se matar...
Aos que nasceram póstumos
Aos que carregam os mortos
Aos que vão ao mar sem saber nadar
Ontem no fundo do poço; hoje euforia de se estranhar...
Entre o riso e o choro...entre o paraíso e o topo
Olhar monocromático...coração bipolar
O que será que ela quis esconder enquanto falava sem parar?
Quem vai perceber que ela queria mais queria era se vê...
...quando resolveu os espelhos quebrar...
Como quem busca ar puro no fundo do porão
Como quem encanta o mundo, mas dança em solidão
Como quem atravessa o rio em busca de água
Ontem no fundo do poço; hoje euforia em lágrimas
Entre o riso e o choro...entre o paraíso e o topo
Olhar monocromático...coração bipolar
Quando ele se foi...e ela acordou
Nunca mais medo de amar...
Quando ele se foi, que ela mudou
Nunca mais perder por medo de não ganhar
(Ela sabe que quem é livre pode escolher ficar)
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Com base em Pessoa
Ao meu lado, todos sempre andam em linha reta. Os sorrisos que me espreitam são tão superficiais, quanto perfeitos. Os rostos não apresentam hematomas, nem sinais do tempo. Os disfarces são plásticos, maquiagens, palavras vãs ao vento. Nenhum dos que caminha ao meu lado levaram porrada. No altar da arrogância, um podium vislumbra aqueles que são campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, quase todas às vezes porco e sempre vil, figurei como o errante caminhante parasita, que mergulha nos próprios erros, de forma indesculpavelmente suja. Eu que sempre perdi a paciência, por trás e defronte as câmeras, não poupei palavras, joguei aos inimigos meus pontos fracos, meus erros. Meus santos inimigos, que nunca tiveram defeitos.
Eu sou o ridículo, o absurdo, o que pisa de botas imundas no tapete das etiquetas. Sempre de forma grotesca, mesquinha, submissa e por vezes arrogante. Até o meu silêncio me expõe em carne viva. Sim, eu me exponho, me jogo ao mundo. Meu Deus, eu erro tanto e nunca soube conviver com meus erros. Por esta razão, tenho sofrido os piores enxovalhos, sempre calado, em meio aos falantes honestos, que nunca erram, que são sempre íntegros.
Se resolvo falar, o que penso me torna mais ridículo ainda. Eu sou cômico ao assumir que envelheço sepultando certezas. Quanto mais anos acumulo, menos sei. Diferente dos meus amigos, sempre espertos e lúcidos em suas verdades inventadas, sob aos quais constroem seus prédios de poucos andares, mas com ânsias de serem, ou até mesmo alcançarem o sol.
Eu que sou vergonhosamente um fracasso financeiro, pago a conta dos que levantam reclamando da comida que ofereço. Sofro da angústia das pequenas coisas ridículas. Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Meus amigos sim, estes nunca tiveram um ato ridículo. Sempre tiveram a grama mais verde. Sempre foram príncipes em todo uma vida. Dignos de honras e aplausos.
Nunca conheci um deles que tivesse uma infâmia em suas confissões. Diante das violências, nunca conheci um que confessasse sua própria covardia. São todos o ideal de si mesmos em suas palavras. Eles falam para quem os ouvem. Os que os ouvem falam a mesma linguagem e por isso os ouvem, só para poderem falar. É a lógica dos perfeitos. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos...
O mundo lá fora é feito de semideuses e suas moscas azuis e seus puxa-sacos. Aqui no esgoto, o mundo é cinza e ecoa pelos canos podres uma só pergunta: “Onde é que há gente de verdade no mundo?”. Longe das plásticas, das maquiagens, da superfície, dos sorrisos, da bebida, dos vinhos, da educação...Não há gente de verdade no mundo.
Há como amar sem ser ridículo? Então não há amor? Sempre há traição na esquina...meus príncipes nunca foram traídos. Sempre a Dinamarca apodrece. Meus príncipes amigos não são dinamarqueses. Eles não são nada e por isso são aclamados como tudo. Queira Deus que em seus silêncios, sejam tão príncipes quanto em seus holofotes. E assim, diferente de mim, não sejam sapos, quer seja dentro ou fora da lagoa...quer sejam beijado ou não por princesas...
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Num bater de páginas eu chego aí
Se for para trazer a cura
Para a doença que você vê em mim
É só loucura
Não me acusa
Se minha alma recusa
A vê como crime
Há só o castigo por ter optado ser assim
Feito um livro livre
Que bate páginas por aí
E nunca pousa em bibliotecas empoeiradas
Prefere estradas nunca visitadas
Não me procura
Se for com a cura
No mais, se quiser vir
Estarei sempre aqui
Acumulo (Luis Vilar/ Maíra Viana)
...das coisas comuns...
...da vida simples...
De tudo que acontece todo dia
Minha poesia é uma flor que fede
Em uma redoma a paquerar narizes passantes
Escrever é quase vomitar
A gente sempre acaba voltando
Eu tinha me deixado para trás
E hoje, eu me flagro andando para algum canto
É...eu ainda canto
Estou ficando velho
Envelhecer sepulta certezas
Tudo cada vez faz menos sentido
Tudo cada vez tem menos respostas
Mas há jardins escondidos nas entrelinhas
Flores que nos sugam e nos acrescentam
às vezes não enxergo bem quem entra
E só quando sai, vejo o que perdi
Esqueço do que ganhei enquanto estivestes aqui
Eu também nem sei se fico procurando
motivos que não existem para morrer feliz
Ou se há Deus realmente aqui
sábado, fevereiro 10, 2007
Desde o muro
Perdemos o sentido
Desde a queda do muro
Desde a construção de tantos abrigos
Desde o silêncio cheio de entulhos
Desde o vazio dos nossos gritos
As luzes entram por um furo
Até quando viver de artifícios
Quanto mais proteção, mais inseguros
É difícil separar virtudes e vícios
Desde o tempo em que erguíamos o muro
Desde o tempo em que fazia sentido
E a gente tenta permanecer vivo com estratégias suicidas
Do que são feitas as águas que cercam as nossas ilhas?
Quanto vale mesmo as nossas vidas?
Qual a próxima estratégia suicida?
Não sei o que fazer dentro do escuro
Que ilumina os meus medos mais vivos
O cotidiano é tão absurdo
Ficou tão natural não fazer sentido
Q.A.P
No nosso quintal, uma inesperada visita
As mesmas armas no varal...
...diferentes pontos de vista...
Quem ainda agüenta viver se antecipando ao imprevisível
Um tiro sem destino quebra as janelas: nosso futuro de vidro
Quem ainda agüenta lembrar que o futuro seria esperança
Com carros que voariam...
...ao invés de condomínios com síndromes de insegurança...
Estamos presos, por entre as grades que construímos
Não há rota de fuga e o caminho muda a cada passo
Estamos presos a tudo o que ainda não possuímos
Não há canto seguro e o tiro pode vir de qualquer lado
De onde virá o próximo avião terrorista
Na torre em nosso quintal, uma inesperada visita
As diferentes frases no jornal...
...para sempre o mesmo ponto de vista...
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Ridículo
As voltas que o mundo dá
Às vezes ter tudo e não te ter
É o mesmo que estar em nenhum lugar
Às vezes incontido por não viver, existo sem vê a vida passar
Navegamos sem saber a dimensão do mar
Cada um em seu aquário a querer ser maior que o mar
Eu preciso te dizer
Sei que é lugar comum
Mas não há outro canto onde eu queira chegar
Nem outro lugar que onde eu queira cantar
terça-feira, fevereiro 06, 2007
As pequenas grandes coisas que aprendi com Vanessa Alencar
Sorrisos maiores
Presentes mais simples para se oferecer
Cores nos olhos
Olhos nas flores
Dias mais limpos para se viver
Sentimento que cabe em uma canção
Sem muitas palavras...pouca explicação
Hoje eu trouxe o mundo para você
E ele é tão pequeno que cabe tudo o que a gente quis
E ele é tão espontâneo que nem precisa ensaiar
É deixar o enredo de lado para ser feliz
É deixar a simplicidade nos fazer sonhar
De pés descalsos
Faz tanto tempo que eu não piso no chão
Sempre com sapatos
Acelerando os passos e encurtando o coração
Quero água do pote
Vagalumes acendendo o jardim
Televisão quebrada para consertar o que sobrou de mim
Uma xícara de café
Amor sem muitas metáforas
Um livro para descansar as pálpebras
E um caminho sem destino, só para por os pés
Hoje eu trouxe o mundo para você
Queira receber...queira me receber
Cidades Invisíveis
Formada pelos lugares por onde já andei
Em busca de dias mais felizes
Em busca de acontecimentos cada vez menos críveis
Guardando segredos impossíveis de conter
Em busca do destino que eu sempre mudei
Em minha cabeça há uma cidade
Ocupada pelos fantasmas de quem nunca esquecerei
Casas desocupadas passam feito cenas de filme
Quartos que nem lembro ao certo se neles morei
Passam em preto e branco, momentos alegres que me deixam tristes
Pessoas que morreram, outras que ainda existem
Resquícios de sonhos ingênuos que nunca mais terei
Em minha cabeça há uma cidade
Com pessoas e lugares...um cemitério de bobagens cheio do que nunca vai morrer
Há novelas não filmadas, filmes nunca escritos
Daria até uma boa história o que nunca vou dizer
Em minha cabeça há uma cidade
Uma ilha cerca pelas imagens do que desejo ser
Herói, vilão, tipo comum...tipo ninguém...
Em minha cabeça há fotos que desbotaram
Há flores que nunca desabotoaram
Há pétalas que caem sem ninguém saber
Em minha cabeça há também coroa de espinhos
Há um lar vazio que espera o que receber
Nem sei
Tudo aquilo que jurei nunca ter em mim
Mas o fato é que estou aqui
Escancarado feito encontro as portas de um bar
Quando preciso ter fé, quando preciso rezar
Tolerância no jardim
Eu não posso falhar porque tudo é por você
Eu deixei a inocência cair da bagagem em terrenos da infância
Hoje, tateando nos escuro eu luto para não me perder
Faço dos teus olhos os meus faróis
E nada vai me deter enquanto pensar em nós
Eu ando cultivando a tolerância
Eu ando deixando as dores do outro lado da porta
Para só perder tempo com o que realmente me importa
E assim encontrar um oásis em você...
...nosso jardim, nosso bebê...
Sei que é guerra, mas eu estou calmo por incrível que pareça
Sei que é distante, mas eu estou caminhando sem perder a cabeça
E se me faltar tudo
Hei de lembrar que sempre tenho mais do que o necessário
Ao estar ao teu lado, o meu mundo
O meu mundo é mudo e gesticula o que só você vê
Eu ando cultivando em mim você
Eu ando cultivando por mim e por você
Eu ando cultivando tolerância quando ninguém vê
sábado, fevereiro 03, 2007
Delete
Só nos sobrou sombras e coragem
De um futuro que a gente tentou trazer aqui
Agora seja o que for
A solidão é toda a nossa bagagem
Vou demorar a esquecer o que um dia eu quis de ti
Dentro de mim, não há como impor maquiagens
Sempre vou lembrar que em algum dia fui feliz
Leve o que eu te dou
Deixe-me só e pela metade
Todos os clichês estão em mim
Se for me reencontrar
Em algum dos espaços incomuns da nossa viagem
Limite-se a me cumprimentar e sorrir
Não quero saber
O que você sente ou pensa durante a passagem
Estou apagando as tatuagens que sequer eu fiz
Balé
Luzes se insinuam; há violinos no ar...
Um balé de borboletas
Lençóis fantasiados de altar
Se você quiser me prender, eu não vou querer escapar
Um oásis no meio da solidão deste lugar
É tudo que a gente precisa e não é nada demais
Vem, que a gente precisa de um pouco de paz
Vem, que a febre se manifesta
As manhãs são incertas, as noites hão de nos salvar
Um balé em silêncio
Sem platéia, sem palco certo para amar
Se você quiser me vencer, não sou em quem vai evitar
Um oásis no meio da solidão deste lugar
É tudo o que a gente insiste e não é nada demais
Vem, que a gente precisa de um pouco de paz
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Coração & Mercadoria
Sonhos postos na vitrine...cabeça cansada de negociar
Quem ainda vai saber que temos um coração?
Quem mais vai fingir que as circunstâncias não foram por mal?
Será mesmo a nossa condição? Será mesmo tão natural...
...quem viu a luz no fim do túnel; fogos artificiais...
...não sei se vou conseguir; não sei mentir e dormir em paz...
Quando chega a madrugada e os sonhos cansam de caminhar
Pesados a postos prestes a passear...olhos cansados de vigiar
Por qual motivo vai pulsar nosso coração?
Por qual motivo vão fingir que as circunstâncias não são por mal?
Será mesmo a nossa salvação? Será a selva cartão-postal?
...que viu a luz dentro de ti; realidade surreal...
...quando vou conseguir dormir, sem mentir que durmo em paz...
O preço é alto e às vezes nem sabemos mais no que acreditar
É complicado seguir...é impossível apenas ficar
A ciência acaba de provar o que era óbvio ao teu olhar ateu
Ficaríamos todos presos a espera da bolha estourar
Ninguém vai conseguir sair? Nenhuma ferida vai conseguir sarar?
...eu pensei que era uma luz dentro de mim; era natural...
...eu precisei de remédios para não dormir; rezei para não acordar...
Pecado e castigo vieram hoje te visitar
Alguém te avisou que nesta hora todos iriam te deixar?
“É tarde demais eu preciso ir”
Teus lençóis são tempestades que sopram para nenhum lugar
Agora é preciso ir...impossível parar...
quarta-feira, janeiro 31, 2007
O poeta é o que sobrou de Deus
Uma luz no espelho ainda irradia, o sol que um dia já iluminou tua casa
Houve meses em que a oração foi alívio e poesia
Aos poucos a fé foi cedendo à razão e arrumando as malas
E agora espera a frase certa cair feito chuva em teu quintal
Molhando as sementes escondidas que prometiam curar o mal
Em meio ao teu olhar ateu
Alheio as coisas belas que ainda se movem
O poeta é o que sobrou de Deus
Então, não perca nunca a poesia de vista
Enquanto da favela os tiros são enviados feito cartões postais
De quem não conhece outra linguagem e desafia com novos sinais
É daqui que nascem os novos demônios
Apadrinhados pelos deuses da nossa vã tecnologia
Serão meninos de fuzis os nossos novos anjos
Com áurea de hormônios incentivando a violência dos últimos dias
Na televisão um culto, um pastor da Igreja Universal
Querendo que um copo d’água seja solução para toda e qualquer rotina
Na hora em que só te resta silêncio, o que sobra das tuas falsas alegrias?
E o deus que te vendem na esquina é um mito para tua euforia
Ou se mata ou se morre...ou se salva ou selvageria
Em meio ao teu olhar ateu
Alheio ao amor que ainda nos move
O poeta é que sobrou de Deus
Então, só nos resta não perder as poesias de vista
E quem sabe enxergar e mudar um dia...
Crise de mercado
Entre as mudanças de mercado
Depois do solo da razão
Quem julga o quanto o sapato está apertado?
Até quando agüenta o coração?
Até quando não esquecer a diferença exata
Entre o mundo que a gente esperava
E os dias que vão nos trazendo até aqui
Hoje eu lembrei de quando a gente sonhava
E mal consegui dormir...
Como eles conseguem ser tão frios e exatos
Como eles conseguem descartar e admitir
Que não é possível de outro jeito
Que o foi o mais próximo do perfeito
Que o caminho é por aí...
Aos sonhos que caíram por terra
Aos que desistiram de suas feras
Nenhum conhecimento vai nos salvar
Não será a nova tecnologia
Não serão as velhas utopias
Não adianta colidir prática e teoria
Nenhum conhecimento do mercado vai nos salvar
Sempre vai ter a hora
Em que é preciso cortar gastos
Em que é preciso ir embora
Arrumar a mesa, procurar novo lugar
domingo, janeiro 21, 2007
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Parem as rotativas
| Quem aprendeu a fazer dinheiro? Qual era mesmo a intenção? Quem permaneceu firme e honesto Cara a cara com a ambição? Quem conseguiu ser dono das próprias riquezas Sem se submeter à possessão? Quem conseguiu esconder suas fraquezas Em maquiagem, em quadros da televisão? Quem conseguiu transformar em fortaleza O peso da solidão... É sempre assim A promessa e a ética de não aceitar Os meios de comunicação justificam os fins Que você escolheu para mudar O caminho é fácil demais O difícil é não se ter a si mesmo a toda hora É só isto o que ainda me faz ficar Feito um dinossauro perto da crista da onda Quem sabe a manchete do próximo pesadelo? Quantas páginas impressas valerão tua doce ilusão? Em caixa alta, a verdade sempre ficou para depois É a nossa letal condição Por trás da cortina, sussurros ao telefone É a nossa condicional permissão Para escolher o que é fato ou importa É sempre assim O discurso de quem não está aqui para julgar Mas os meios de produção justificam a velocidade Com que você vai nos aceitar O caminho é fácil de mais O difícil é se manter sóbrio a toda hora É só isto o que ainda me faz pensar Feito um dinossauro perto da crista da onda Quem quiser ler de fato a verdade Que escreva suas próprias impressões Quem quiser falar sobre liberdade Que tente sempre prender alguém às próprias visões No mais, o jogo é de pergunta e respostas Preparadas para um jogo de apostas |



