sexta-feira, junho 29, 2007

O mais ridículo poema que já fiz

Não precisa alongar o lençol
A gente se aperta pela vida afora em noites frias
Não precisa dança para trazer chuva ou sol
Tanto faz o som do baile na sua companhia
Sou adaptável a diversas situações
Eu caibo em qualquer verso das suas canções
Não vou incomodar quando você estiver de mudança
Basta me encaixar em qualquer lugar onde caiba esperança

Só não me diga adeus antes do meu eu ser teu
Nem depois
Não me diga adeus...não é só por mim
Talvez seja por nós dois...

Não precisa mudar nenhum móvel da casa
Por você, eu entro devagar, eu recolho as asas
Eu como frio para não incomodar com barulho de panelas
Eu morro de calor no dia em que você não quiser abrir as janelas
Não precisa nem me pedir provas de amor
Meu corpo vai de bandeja para qualquer lugar que você for
Não precisa nem ficar sempre comigo
Basta acenar de longe quando eu estiver correndo perigo...

Só não me diga adeus antes do meu eu ser teu
Nem depois
Não me diga adeus...não é só por mim
Talvez seja por nós dois...

quinta-feira, junho 28, 2007

Impressa impressão

Teus olhos me dão a impressão
De que ainda é possível tentar outra vez
Teus olhos me miram do alto da solidão
Refúgio de tudo...outro mundo com toda certeza...

Você vai chegar e o que trará?
Será como utopias desenhadas em mesa de bar...
Você vai chegar? Quem você será?
Com qual fantasia vai me devolver a vida outra vez
(Sem carnaval, sem euforia...só por mais uma vez...)

E assim, os amores mudam...
...e o amor permanece o mesmo...
E assim, os teus olhos não se curvam
...na insinuante estrada dos desejos...
O amor é uma inédita reprise toda vez...
...estamos aqui mais uma vez...

segunda-feira, junho 25, 2007

29 de Outubro

Eu queria que você escutasse
O que eu não sei dizer:
Eu te amo cada vez mais
Que é impossível sem você
Não sei nem para onde o mundo vai...

Quando eu descobrir que você cabe
No meu corpo, no meu sonho, no que sei ser
Sem você eu nem me vejo mais...
Quando eu descobrir que meus olhos se abrem
Para o que é invisível sem você
Qualquer luz é centelha perto do que me traz

Será que você sabe o quanto penso em você
O quanto me antecipo para cair antes...
...nos buracos que você não vê...
Para que todo dia você chegue em casa em paz
Estou vigiando você...
Mas quando quiser ir, você vai...

Eu queria que você adivinhasse
O que nem eu mesmo sei
Eu te amo sempre mais
Que é impossível sem você

Vem

Vem me ver
Só vem me ver
Enquanto o sentido da vida
Escorre pela chuva da manhã
Ontem, teus olhos foram o orvalho da minha história
Acordei com sol dentro do meu salão
O silêncio ainda guarda uma dor que me devora
Mas pode apagar a luz se você segurar a minha mão
Para que possamos seguir estrada adentro, rio afora

Vamos a forra repintando a nossa solidão
Porque não vou deixar
Que a vida perca o sentido
Enquanto chove pela manhã
Aqui dentro você vem comigo
E há sempre sol dentro do salão
Penso em você ontem, hoje e agora...
Não importa o destino que me devora
Se é você quem vem segurando em minha mão

Vem me ver
Só me ver...
A união entre imagem e espelho
O amor é a única raridade que se usa em vão
Encerra os meus olhos vermelhos
Enquanto caminhas em minha direção
Eu também te prometo fazer rir
Para sempre, enquanto houver um sempre, em você e em mim

segunda-feira, junho 18, 2007

Câmera de segurança

Tem que se ter certeza
Uma chance e nada mais
Tem que possuir beleza
E dela estar sempre atrás
Não pode passar do ponto
Nem ter outro ponto de vista sobre a questão
Não há tempo para apresentar defeito
Tem que colar em silêncio os cacos pelo chão...

Vão querer câmeras de vigilância na tua cabeça
Pense logo e depressa
Este momento é tudo para o que você quer ser
E a dúvida é tudo o que o banquete pode te oferecer
Tenha muita pressa, enquanto teu coração ainda é teu...
Caminho em linha reta...teu coração é quase ateu...
Venda quase certa: um coração que é quase meu...

Tem que ser uma fortaleza
Uma só invasão e tudo se vai
Tem que ter antivírus
Um só download e tudo se desfaz
Tem que se estar pronto
Mesmo sem experiência e sem fé
Só existe um jeito e um caminho
Quem ninguém sabe onde fica e como é

Vão querer câmeras de segurança na tua cabeça
Pense logo e com pressa
Este momento é tudo para o que você quer ser
E a tecla delete é tudo que temos a lhe oferecer
Tenha muito cuidado, enquanto teu coração ainda é teu
Caminho por linhas tortas, teu coração quase ateu
Fé quase morta, mas um coração que ainda é meu...

terça-feira, junho 12, 2007

Copos d'água represados (Vilar e Manaíra Aires)

É a lei da sobrevivência:
Segredos escritos nas paredes do porão
A represa vem cedendo
Qualquer copo d’água é inundação
Sem a senha de acesso qualquer excesso te ignora por aqui
Coração pela calçada: porta de entrada em um camelô
Há quem finja estar por perto e se confunda com o amor
É a lei dos sobreviventes...

São sinais de inteligência
À caça de emoções no computador
Eles estão vindo sedentos
Qualquer copo d’água é santificação
Sem o sonho de acesso qualquer sucesso é sem sentido por aqui
Coração com couraça: indústria de massa, banquete sem sabor
Há quem finja estar por perto e se transforme em um ator
É o teatro dos acontecimentos...

É a lei da interpretação:
Frases que parecem casuais
São bem mais causais do que pensamos
Qualquer copo d’água é intencional
A boca do copo d’água na boca do corpo fechado
Sem o selo de acesso qualquer pensamento é excesso de sentido por aqui
Coração de intérprete: a certeza da realidade por trás da venda
Há quem finja estar por perto e se confunda com personagens à venda

São sinais de inteligência virtual
Impressões digitais que saem dos dedos e vão parar na tela do computador
Qualquer copo d’água afoga dígitos finais da conta que se encerra
A cada dia uma nova represa cerra nesse mundo digital
Lágrimas só expelem água salgada na falta de uma essência maior
Sem a sentença de sucesso, na cidade litorânea gotas salgadas não significam nada
Por aqui, coração com calçado de couraça: passos pesados e supervisionados
É o teatro dos sobreviventes que moram ao lado...

É a lei da inteligência interpretada:
Copos d’água são represados
Os desobedientes, do trigo são separados
Qualquer represa é para dissociar
Na onda da água industrializada, maus elementos são afogados no outro lado da tela
Coração com vírus: porta de entrada para uma nova indústria farmacêutica
Há quem finja estar por perto e não perceba que é tudo ficcional
É a indústria que sobrevive das leis naturais, leis que ela mesma criou...

domingo, junho 10, 2007

pausa

No altar do jornal, o casamento das prostitutas das palavras com os políticos no cio. Em pouco tempo, os filhos destes estão nas urnas do Brasil. E eu trancado lá em casa esperando que a fé remova montanhas, me protegendo da chuva ácida que cai sobre a ilha da fantasia. Tão pouca gente vê os pingos, enquanto toma banho de piscina com uísque importado discutindo o comunismo do século passado. Sunga vermelha com estrela branca...top model de um novo país...

sábado, junho 09, 2007

Última edição

Não quero me vender
Ainda que seja a única opção em vista
Não sei o que virá amanhã
Mas sei com o que não posso conviver, caso eu insista

Eu estive preso, talvez eu mesmo construí as garras
Que me afastaram do futuro que eu esperava
Sei que a derrota aqui é eminência parda
Mas dependendo do ponto de vista
Há quem se sepulte aqui, há quem retorne a vida em nova estrada

Pode até ser que eu tenha escolhido o pior caminho
Ou até devesse esperar mais um pouco
Mas nunca houve hora e frase certa para ninguém
Antes eu estava tão distante
Era indiferente olhar carvão e diamante
E agora com cores novas sei lá o que ainda vem...
...sei lá o que me vem...

Fazia tempo que o espelho não me via
Antes era feito fotografia
Dentro de espaço já recortado
E agora é o mesmo tempo, mas são outros dias
É difícil todo o rompimento
Mas sou eu que digo adeus: quem diria!?

Pode até seu que eu devesse esperar mais um pouco
Mas não se mede a esperança de ninguém
Antes eu andava tão distante
Era indiferente olhar carvão e diamante
Agora com novas cores eu espero o que ainda vem...

Velha peça, novos atos

Estava adormecido
Em silêncio frágil
Num cotidiano que o distraiu...
Acostumado
A andar no passo
Feito uma ampulheta sem fim

Quando menos se espera
Esteve acordado
Com os gritos da fera
Em meio à selva...
...onde sempre esteve, mas nunca viu
Agora enxerga
Para além das sombras da luz da vela
Luta, briga e espera
Atrás de um sonho que já não tem fim...

Quem diria
Que se colocaria no centro
Desprezo por bandeiras de movimento
Movimenta-se rumo a libertação de si
Quem diria
Que transbordaria com o tempo
Desapego às certezas que construiu por dentro
Quem diria que o muro viria a desabar...

Não dá mais

Se houver estrelas, eu estou no rastro
Há de acontecer um céu aberto no final
Um descanso...sob o pálio
O dia vai ser nosso: espera o sol...

É, eu estou no rastro...
Por enquanto improviso versos sem canção
Em silêncio, em sinapses
Por enquanto improviso sonhos em solidão

Sem medir tempo, sem temer a própria vontade
Na falta da liberdade ainda nos sobra coragem
Para irmos onde a gente quiser...

Se for o medo que torna pesado o teu ar
Feche os olhos para enxergar
E expire o que de fundo vier...

Sempre chegar de corpo e alma
Contagem de corpos e armas nunca nos trouxe paz
Sempre andar sem marcar os passos
Viver de forma horizontal já não dá mais

quinta-feira, junho 07, 2007

Em fogo baixo

Queimando em fogo baixo
Sempre de olho no tempo
Em silêncio e cismado
A espera do próximo movimento
Sempre levando a vida na ponta do lápis
Na espera de um sentimento que escape
E ajude a fazer sentido...
Longe do risco calculado...da surpresa tão previsível...

Se o meu silêncio fosse um canto
Se de fato o acaso tivesse ao menos um norte
Talvez ainda esperasse cair do céu
As chuvas que só nublaram mesmo o nosso olhar
Talvez ainda pulassem do papel
Os versos que nunca estiveram lá
E me ajudasse a ter um sentido
Longe da timidez ensaiada...da moral de improviso

Mas não vou ficar calado
Ainda que não haja força suficiente no grito
Não vou esperar sentado, nem caminhar nos trilhos
O caminho se faz andando
E ainda há muito que correr

Se não me dão alternativa, cavo o outro lado da questão
Se querem soprar sob a ferida, deixo queimar o coração
Chamam de erro de cálculo; batizo de nova opção
Neste dia que nasce com sabor de infinito
A esperança sem sentido anda flertando com a razão...
Por qualquer outro novo mundo possível
Por qualquer chuva que caia sem precisar de previsão

terça-feira, junho 05, 2007

Maré alta

Sonhos de encontro ao vento
Pés tocando o chão
Castelos de areia de encontro ao tempo
Lentes de aumento sob o coração
Quem estava do outro lado do espelho
Quando o terreno era desconhecido do lado de lá?

Captura de cada movimento
Cuidado com o que se pode falar
Em cada instante, em cada envolvimento
Do alto do céu à vala comum deste lugar
Querem que a razão dite a direção do vento
Enquanto a maré alta engole edificações sem avisar...

Satélites por toda parte
Previsão do que é impossível parar
Se é a vida quem pede um tempo...
...é tempo de despertar...
Enquanto a maré alta engole sentimentos
...é impossível mapear...

Radares para impor verdades
Quando a nova onda virá
De coração e coragem
Estou partindo em busca do que ainda me faz ficar...

segunda-feira, junho 04, 2007

Escritos


Continuo firme na decisão de lançar o livro em dezembro...dois meses sem voltar atrás...é um recorde...

sábado, junho 02, 2007

Deixando o barco

Há limite ainda que sublimado
Não queira roubar nossa luz para o seu banho de sol
Panela de pressão...peso do passado
Foi a gota d’água na ferida que se mantinha em baixo do lençol
Agora estou em carne viva e explícita
Estive calado ao teu lado
Mas nunca servir de isca ao teu anzol...

De ética todo mundo entende
Para compor o discurso todo mundo a quer
Agressão e agrado são os dois lados
De uma faca afiada que cega a fé...
O que você não entende é que ninguém é um cargo
E que o caminho continua exposto até para quem anda a pé

Lamento se teu limite já foi alargado
Pelo dilúvio das delícias acres do poder
Panela de pressão...banquete que não é do meu agrado
Foi o grão que faltava para tudo ficar mais pesado
A ponto de desabar o que nunca teve alicerce nem prazer

Dar ordens todo mundo entende
Para compro o discurso ninguém as quer
O que você ainda não percebe
É que o ciclo se fecha bem embaixo dos teus pés
Sei que meu grito não é maior do que tanto silêncio
Mas indignação ainda é combustível para fé

Adeus aos grilhões do passado
Estou me lançando ao que vier
Adeus ao peso que foi exorcizado
Bem-vindo ao que o futuro trouxer...
Estou indo de corpo e alma
Fique você de corpo e armas para quem quiser...

(Dedicada à jornalista Vanessa Alencar e as mudanças)

sexta-feira, junho 01, 2007

...

Eu fiz este poema em vão
Só para me dar a impressão
De que ainda carrego no coração
Cores para tornar o dia mais fácil
Mas a quem que eu ando querendo enganar?

Vermelho nas Mãos

Eu me entrego em tuas mãos
Passos passionais e sem direção
Que seja para qualquer lado
Azul nos olhos, vermelho nas mãos
Dança de cores, casos não pensados...

E cada dia um novo personagem
Cada momento, letra em vertigem e viagem
Que sai de si da sólida solidão de papel
Quem nos compôs assim
Em carne viva e cores expostas ao sol da ilusão
Quem será que te fez em mim
Com as cores douradas do sol, com vermelho nas mãos

Embriaguez sem uma gota de vinho
Paixão por tanta gente ainda que se ande sozinho
Nudez exposta de uma alma tímida no altar
Medo e desejo de amar...
...se foi no tempo certo, se ainda espera maturação...
...nosso coração é um crime passional...
...carregamos vermelho nas mãos...
Por intuito ou intuição

“Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino”

Dialéticas

Não haveria dor
Se não fosse esse tal sentimento
Quimeras não morreriam em vão
Se fosse apenas o coração
Devagar e forçadamente, eu ponho os pés no chão

Tantos caminhos traçados
E nenhum mapa trouxe o atalho a se viver
Tanto barulho por nada, e então...
...silenciosamente, eu tento te esquecer

Como quem segue calado
Por que escuta uma oculta força viva
Dentro do nosso silêncio há um som
Que não se apaga entre fumaças e buzinas
Tem certas utopias que eu não sei mais ter
Mas é por tê-las que ainda tenho vida...