terça-feira, fevereiro 27, 2007

Conservantes

Hei, eu tenho um segredo
Mas não tenha medo
Eu sei que querem quebrar teu coração
Eu sei que querem cegar o teu espírito
Confundindo barulho com canção
Estratégias de guerra com ritmos

Vão entrar pelo rádio e pela tv
Não vão pedir licença para ficar nas paredes da sala
Vão querer levar você pela coleira
Bater em sua cabeça até que você veja estrelas
Vão querer lhe drogar sem picadas de agulha
Na lata de conservas, salsichas e gorduras

E não há como ser salvo
Só resta a integração: loja de conveniência e coração

A explosão que brota do silêncio

As luzes se apagam
Eu estou no meu lugar
Lá fora não há mira, mas todo mundo é alvo
E há quem acredite que será salvo
Esperando sempre no mesmo lugar

Será que há verdade certa para esperar?
Ou será só a luz nostálgica de estrelas mortas
Será que há estrada certa para se pisar?
Ou será só a espera do que já nem importa

Quando escuto o som dos dias
Revelam-me coisas não ditas
Escorrem entre os dedos poesias
Você me olha triste, mas não sabe...
...que eu já voltei de dores que seriam infinitas...
Eu já voltei...

Eu não poderia parar agora
O meu lugar eu faço andando
Não há como contar outra história
A minha música eu faço cantando
Nem sei se é cura ou doença
Mas ainda me incomodam velhas crenças

E por falar em lar...
...é qualquer lugar onde o amor possa me visitar

Fotografia

Qual a razão
Do meu sorriso buscar os teus olhos
Quando a própria razão nos desafia
Quando é impossível suportar o dia
E a gente ainda crer em poesia...

Será que existe razão
Para o otimismo no qual a gente ainda espera
Novas fotografias para cenas velhas
Flores que só se abrem para raras primaveras

Na força da emoção, razão não nos inibe
Seguimos cegos ou continuamos firmes?

Não vamos deixar que o tempo nos torne invisíveis
Ainda que o grito seja menor que o silêncio
Ainda que haja mais fumaça que incêndio...
Ainda que sejamos obrigados a acreditar no impossível

Mesmo sem saber ao certo a razão
Dos meus passos buscarem melhores dias
De não ficarmos presos a fotografias
Se é que existe uma razão

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Sob céu nublado

Escrevo sob céu nublado
Dou as cores que não vejo lá fora aos versos que invento
O tempo é frio e nunca está do meu lado
Faz calor aqui dentro
Será que água do mar é a mesma do meu aquário?
Será que escafandristas vão desarrumar o meu armário?
Será que meus netos escutarão os ecos que deixo no vento...

Assumo em público as minhas posturas
Viram torturas no meio das pessoas mesquinhas
Ainda que as dores que carrego sejam só minhas
Às vezes vôo leve e livre apesar do peso do medo
Às vezes desato a falar e não escondo os segredos
Sim, eu tenho muitos horrores...
Medo de voar, medo de fechar a porta ao sair
Medo de morrer e Deus existir
Medo de usar de mais a razão e perder a emoção

Sempre estou pensando nos problemas que ainda não vieram
O carro que quebrou, o cano que estourou, os dias que já eram

Chega

Eu preciso notar que o meu tempo chegou
Para ter razão de viver, renovar o que já fiz por amor
Ao invés de perder meu tempo a pensar
Em quem me suga sempre assim
Retirando sem notar o que há de melhor em mim

Eu conduzo incapazes ao sucesso vendendo barato o meu dom
No final sou eu quem pago o preço
Por encarar a pior metade do meu ser já perto do meu fim
Se é que há mesmo metade, se é que de fato sou dois ou três
Já que em solidão eu sou mesmo uma multidão em mim

E se for para dar conselhos, venha sem me dizer nada
Se for para trazer espelhos, poupe-me das minhas próprias caras
Nada do que você me diga, eu posso dizer não sabia
Já que sei o quanto escapa fácil um pouco da minha alma a cada dia

Minhas melhores roupas...
...foram gastas em circunstâncias que não me agradam
Minhas melhores louças...
...bancaram jantares para amantes sem graça
Foram tantas pedras quebradas até te encontrar aqui
Só mesmo os teus olhos enxergam o que há de melhor em mim

Coração Bipolar

Hora de rasgar os mapas
De rever as cartas
Mudar e se reencontrar no mesmo lugar
É preciso tempo ao abrir os olhos
Para acertar o foco e saber diferenciar
O que é real e o que é desejo no nosso olhar

O que será que ela quis dizer quando resolveu se calar?
Quem vai entender que o que mais ela queria era viver...
...quando resolveu se matar...

Aos que nasceram póstumos
Aos que carregam os mortos
Aos que vão ao mar sem saber nadar
Ontem no fundo do poço; hoje euforia de se estranhar...
Entre o riso e o choro...entre o paraíso e o topo
Olhar monocromático...coração bipolar

O que será que ela quis esconder enquanto falava sem parar?
Quem vai perceber que ela queria mais queria era se vê...
...quando resolveu os espelhos quebrar...

Como quem busca ar puro no fundo do porão
Como quem encanta o mundo, mas dança em solidão
Como quem atravessa o rio em busca de água
Ontem no fundo do poço; hoje euforia em lágrimas
Entre o riso e o choro...entre o paraíso e o topo
Olhar monocromático...coração bipolar

Quando ele se foi...e ela acordou
Nunca mais medo de amar...
Quando ele se foi, que ela mudou
Nunca mais perder por medo de não ganhar
(Ela sabe que quem é livre pode escolher ficar)

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Com base em Pessoa

Ao meu lado, todos sempre andam em linha reta. Os sorrisos que me espreitam são tão superficiais, quanto perfeitos. Os rostos não apresentam hematomas, nem sinais do tempo. Os disfarces são plásticos, maquiagens, palavras vãs ao vento. Nenhum dos que caminha ao meu lado levaram porrada. No altar da arrogância, um podium vislumbra aqueles que são campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, quase todas às vezes porco e sempre vil, figurei como o errante caminhante parasita, que mergulha nos próprios erros, de forma indesculpavelmente suja. Eu que sempre perdi a paciência, por trás e defronte as câmeras, não poupei palavras, joguei aos inimigos meus pontos fracos, meus erros. Meus santos inimigos, que nunca tiveram defeitos.

Eu sou o ridículo, o absurdo, o que pisa de botas imundas no tapete das etiquetas. Sempre de forma grotesca, mesquinha, submissa e por vezes arrogante. Até o meu silêncio me expõe em carne viva. Sim, eu me exponho, me jogo ao mundo. Meu Deus, eu erro tanto e nunca soube conviver com meus erros. Por esta razão, tenho sofrido os piores enxovalhos, sempre calado, em meio aos falantes honestos, que nunca erram, que são sempre íntegros.

Se resolvo falar, o que penso me torna mais ridículo ainda. Eu sou cômico ao assumir que envelheço sepultando certezas. Quanto mais anos acumulo, menos sei. Diferente dos meus amigos, sempre espertos e lúcidos em suas verdades inventadas, sob aos quais constroem seus prédios de poucos andares, mas com ânsias de serem, ou até mesmo alcançarem o sol.

Eu que sou vergonhosamente um fracasso financeiro, pago a conta dos que levantam reclamando da comida que ofereço. Sofro da angústia das pequenas coisas ridículas. Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Meus amigos sim, estes nunca tiveram um ato ridículo. Sempre tiveram a grama mais verde. Sempre foram príncipes em todo uma vida. Dignos de honras e aplausos.

Nunca conheci um deles que tivesse uma infâmia em suas confissões. Diante das violências, nunca conheci um que confessasse sua própria covardia. São todos o ideal de si mesmos em suas palavras. Eles falam para quem os ouvem. Os que os ouvem falam a mesma linguagem e por isso os ouvem, só para poderem falar. É a lógica dos perfeitos. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos...

O mundo lá fora é feito de semideuses e suas moscas azuis e seus puxa-sacos. Aqui no esgoto, o mundo é cinza e ecoa pelos canos podres uma só pergunta: “Onde é que há gente de verdade no mundo?”. Longe das plásticas, das maquiagens, da superfície, dos sorrisos, da bebida, dos vinhos, da educação...Não há gente de verdade no mundo.

Há como amar sem ser ridículo? Então não há amor? Sempre há traição na esquina...meus príncipes nunca foram traídos. Sempre a Dinamarca apodrece. Meus príncipes amigos não são dinamarqueses. Eles não são nada e por isso são aclamados como tudo. Queira Deus que em seus silêncios, sejam tão príncipes quanto em seus holofotes. E assim, diferente de mim, não sejam sapos, quer seja dentro ou fora da lagoa...quer sejam beijado ou não por princesas...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Num bater de páginas eu chego aí

Não me procura
Se for para trazer a cura
Para a doença que você vê em mim
É só loucura
Não me acusa
Se minha alma recusa
A vê como crime
Há só o castigo por ter optado ser assim
Feito um livro livre
Que bate páginas por aí
E nunca pousa em bibliotecas empoeiradas
Prefere estradas nunca visitadas
Não me procura
Se for com a cura
No mais, se quiser vir
Estarei sempre aqui

Acumulo (Luis Vilar/ Maíra Viana)

Cansado de tudo
...das coisas comuns...
...da vida simples...
De tudo que acontece todo dia

Minha poesia é uma flor que fede
Em uma redoma a paquerar narizes passantes
Escrever é quase vomitar
A gente sempre acaba voltando

Eu tinha me deixado para trás
E hoje, eu me flagro andando para algum canto
É...eu ainda canto

Estou ficando velho
Envelhecer sepulta certezas
Tudo cada vez faz menos sentido
Tudo cada vez tem menos respostas

Mas há jardins escondidos nas entrelinhas
Flores que nos sugam e nos acrescentam
às vezes não enxergo bem quem entra
E só quando sai, vejo o que perdi
Esqueço do que ganhei enquanto estivestes aqui

Eu também nem sei se fico procurando
motivos que não existem para morrer feliz
Ou se há Deus realmente aqui

sábado, fevereiro 10, 2007

Desde o muro

Pane no vôo para o futuro
Perdemos o sentido
Desde a queda do muro
Desde a construção de tantos abrigos
Desde o silêncio cheio de entulhos
Desde o vazio dos nossos gritos

As luzes entram por um furo
Até quando viver de artifícios
Quanto mais proteção, mais inseguros
É difícil separar virtudes e vícios
Desde o tempo em que erguíamos o muro
Desde o tempo em que fazia sentido

E a gente tenta permanecer vivo com estratégias suicidas
Do que são feitas as águas que cercam as nossas ilhas?
Quanto vale mesmo as nossas vidas?
Qual a próxima estratégia suicida?

Não sei o que fazer dentro do escuro
Que ilumina os meus medos mais vivos
O cotidiano é tão absurdo
Ficou tão natural não fazer sentido

Q.A.P

De onde virá o próximo ataque suicida?
No nosso quintal, uma inesperada visita
As mesmas armas no varal...
...diferentes pontos de vista...

Quem ainda agüenta viver se antecipando ao imprevisível
Um tiro sem destino quebra as janelas: nosso futuro de vidro
Quem ainda agüenta lembrar que o futuro seria esperança
Com carros que voariam...
...ao invés de condomínios com síndromes de insegurança...

Estamos presos, por entre as grades que construímos
Não há rota de fuga e o caminho muda a cada passo
Estamos presos a tudo o que ainda não possuímos
Não há canto seguro e o tiro pode vir de qualquer lado

De onde virá o próximo avião terrorista
Na torre em nosso quintal, uma inesperada visita
As diferentes frases no jornal...
...para sempre o mesmo ponto de vista...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Ridículo

Às vezes saber de tudo não é entender
As voltas que o mundo dá
Às vezes ter tudo e não te ter
É o mesmo que estar em nenhum lugar
Às vezes incontido por não viver, existo sem vê a vida passar

Navegamos sem saber a dimensão do mar
Cada um em seu aquário a querer ser maior que o mar

Eu preciso te dizer
Sei que é lugar comum
Mas não há outro canto onde eu queira chegar
Nem outro lugar que onde eu queira cantar

terça-feira, fevereiro 06, 2007

As pequenas grandes coisas que aprendi com Vanessa Alencar

Prédios menores
Sorrisos maiores
Presentes mais simples para se oferecer
Cores nos olhos
Olhos nas flores
Dias mais limpos para se viver

Sentimento que cabe em uma canção
Sem muitas palavras...pouca explicação
Hoje eu trouxe o mundo para você
E ele é tão pequeno que cabe tudo o que a gente quis
E ele é tão espontâneo que nem precisa ensaiar
É deixar o enredo de lado para ser feliz
É deixar a simplicidade nos fazer sonhar

De pés descalsos
Faz tanto tempo que eu não piso no chão
Sempre com sapatos
Acelerando os passos e encurtando o coração

Quero água do pote
Vagalumes acendendo o jardim
Televisão quebrada para consertar o que sobrou de mim

Uma xícara de café
Amor sem muitas metáforas
Um livro para descansar as pálpebras
E um caminho sem destino, só para por os pés
Hoje eu trouxe o mundo para você
Queira receber...queira me receber

Cidades Invisíveis

Em minha cabeça há uma cidade
Formada pelos lugares por onde já andei
Em busca de dias mais felizes
Em busca de acontecimentos cada vez menos críveis
Guardando segredos impossíveis de conter
Em busca do destino que eu sempre mudei

Em minha cabeça há uma cidade
Ocupada pelos fantasmas de quem nunca esquecerei
Casas desocupadas passam feito cenas de filme
Quartos que nem lembro ao certo se neles morei
Passam em preto e branco, momentos alegres que me deixam tristes
Pessoas que morreram, outras que ainda existem
Resquícios de sonhos ingênuos que nunca mais terei

Em minha cabeça há uma cidade
Com pessoas e lugares...um cemitério de bobagens cheio do que nunca vai morrer
Há novelas não filmadas, filmes nunca escritos
Daria até uma boa história o que nunca vou dizer
Em minha cabeça há uma cidade
Uma ilha cerca pelas imagens do que desejo ser
Herói, vilão, tipo comum...tipo ninguém...

Em minha cabeça há fotos que desbotaram
Há flores que nunca desabotoaram
Há pétalas que caem sem ninguém saber
Em minha cabeça há também coroa de espinhos
Há um lar vazio que espera o que receber

Nem sei

Eu já nem sei onde arrumo para te dá
Tudo aquilo que jurei nunca ter em mim
Mas o fato é que estou aqui
Escancarado feito encontro as portas de um bar
Quando preciso ter fé, quando preciso rezar

Tolerância no jardim

No jardim das incertezas, tenho aprendido a cultivar a tolerância
Eu não posso falhar porque tudo é por você
Eu deixei a inocência cair da bagagem em terrenos da infância
Hoje, tateando nos escuro eu luto para não me perder
Faço dos teus olhos os meus faróis
E nada vai me deter enquanto pensar em nós

Eu ando cultivando a tolerância
Eu ando deixando as dores do outro lado da porta
Para só perder tempo com o que realmente me importa
E assim encontrar um oásis em você...
...nosso jardim, nosso bebê...

Sei que é guerra, mas eu estou calmo por incrível que pareça
Sei que é distante, mas eu estou caminhando sem perder a cabeça
E se me faltar tudo
Hei de lembrar que sempre tenho mais do que o necessário
Ao estar ao teu lado, o meu mundo
O meu mundo é mudo e gesticula o que só você vê

Eu ando cultivando em mim você
Eu ando cultivando por mim e por você
Eu ando cultivando tolerância quando ninguém vê

sábado, fevereiro 03, 2007

Delete

Apague o que traçou
Só nos sobrou sombras e coragem
De um futuro que a gente tentou trazer aqui

Agora seja o que for
A solidão é toda a nossa bagagem
Vou demorar a esquecer o que um dia eu quis de ti

Dentro de mim, não há como impor maquiagens
Sempre vou lembrar que em algum dia fui feliz
Leve o que eu te dou
Deixe-me só e pela metade
Todos os clichês estão em mim

Se for me reencontrar
Em algum dos espaços incomuns da nossa viagem
Limite-se a me cumprimentar e sorrir

Não quero saber
O que você sente ou pensa durante a passagem
Estou apagando as tatuagens que sequer eu fiz

Balé

Vem, que o quarto parece oceano
Luzes se insinuam; há violinos no ar...
Um balé de borboletas
Lençóis fantasiados de altar

Se você quiser me prender, eu não vou querer escapar
Um oásis no meio da solidão deste lugar
É tudo que a gente precisa e não é nada demais
Vem, que a gente precisa de um pouco de paz

Vem, que a febre se manifesta
As manhãs são incertas, as noites hão de nos salvar
Um balé em silêncio
Sem platéia, sem palco certo para amar

Se você quiser me vencer, não sou em quem vai evitar
Um oásis no meio da solidão deste lugar
É tudo o que a gente insiste e não é nada demais
Vem, que a gente precisa de um pouco de paz

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Coração & Mercadoria

Quando chega o fim-de-tarde e a alma cansada de andar
Sonhos postos na vitrine...cabeça cansada de negociar
Quem ainda vai saber que temos um coração?
Quem mais vai fingir que as circunstâncias não foram por mal?
Será mesmo a nossa condição? Será mesmo tão natural...

...quem viu a luz no fim do túnel; fogos artificiais...
...não sei se vou conseguir; não sei mentir e dormir em paz...

Quando chega a madrugada e os sonhos cansam de caminhar
Pesados a postos prestes a passear...olhos cansados de vigiar
Por qual motivo vai pulsar nosso coração?
Por qual motivo vão fingir que as circunstâncias não são por mal?
Será mesmo a nossa salvação? Será a selva cartão-postal?

...que viu a luz dentro de ti; realidade surreal...
...quando vou conseguir dormir, sem mentir que durmo em paz...

O preço é alto e às vezes nem sabemos mais no que acreditar
É complicado seguir...é impossível apenas ficar
A ciência acaba de provar o que era óbvio ao teu olhar ateu
Ficaríamos todos presos a espera da bolha estourar
Ninguém vai conseguir sair? Nenhuma ferida vai conseguir sarar?

...eu pensei que era uma luz dentro de mim; era natural...
...eu precisei de remédios para não dormir; rezei para não acordar...

Pecado e castigo vieram hoje te visitar
Alguém te avisou que nesta hora todos iriam te deixar?
“É tarde demais eu preciso ir”
Teus lençóis são tempestades que sopram para nenhum lugar
Agora é preciso ir...impossível parar...