quarta-feira, janeiro 31, 2007

O poeta é o que sobrou de Deus

A espera de um novo dia, quem cala nem sente que consente
Uma luz no espelho ainda irradia, o sol que um dia já iluminou tua casa
Houve meses em que a oração foi alívio e poesia
Aos poucos a fé foi cedendo à razão e arrumando as malas
E agora espera a frase certa cair feito chuva em teu quintal
Molhando as sementes escondidas que prometiam curar o mal

Em meio ao teu olhar ateu
Alheio as coisas belas que ainda se movem
O poeta é o que sobrou de Deus
Então, não perca nunca a poesia de vista

Enquanto da favela os tiros são enviados feito cartões postais
De quem não conhece outra linguagem e desafia com novos sinais
É daqui que nascem os novos demônios
Apadrinhados pelos deuses da nossa vã tecnologia
Serão meninos de fuzis os nossos novos anjos
Com áurea de hormônios incentivando a violência dos últimos dias

Na televisão um culto, um pastor da Igreja Universal
Querendo que um copo d’água seja solução para toda e qualquer rotina
Na hora em que só te resta silêncio, o que sobra das tuas falsas alegrias?
E o deus que te vendem na esquina é um mito para tua euforia
Ou se mata ou se morre...ou se salva ou selvageria

Em meio ao teu olhar ateu
Alheio ao amor que ainda nos move
O poeta é que sobrou de Deus
Então, só nos resta não perder as poesias de vista
E quem sabe enxergar e mudar um dia...

Crise de mercado

Até quando me manter intacto
Entre as mudanças de mercado
Depois do solo da razão
Quem julga o quanto o sapato está apertado?
Até quando agüenta o coração?

Até quando não esquecer a diferença exata
Entre o mundo que a gente esperava
E os dias que vão nos trazendo até aqui
Hoje eu lembrei de quando a gente sonhava
E mal consegui dormir...

Como eles conseguem ser tão frios e exatos
Como eles conseguem descartar e admitir
Que não é possível de outro jeito
Que o foi o mais próximo do perfeito
Que o caminho é por aí...

Aos sonhos que caíram por terra
Aos que desistiram de suas feras
Nenhum conhecimento vai nos salvar
Não será a nova tecnologia
Não serão as velhas utopias
Não adianta colidir prática e teoria
Nenhum conhecimento do mercado vai nos salvar

Sempre vai ter a hora
Em que é preciso cortar gastos
Em que é preciso ir embora
Arrumar a mesa, procurar novo lugar

domingo, janeiro 21, 2007

Foto da Beatriz


Beatriz de óculos...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Parem as rotativas

Quem aprendeu a fazer dinheiro?
Qual era mesmo a intenção?
Quem permaneceu firme e honesto
Cara a cara com a ambição?
Quem conseguiu ser dono das próprias riquezas
Sem se submeter à possessão?
Quem conseguiu esconder suas fraquezas
Em maquiagem, em quadros da televisão?
Quem conseguiu transformar em fortaleza
O peso da solidão...

É sempre assim
A promessa e a ética de não aceitar
Os meios de comunicação justificam os fins
Que você escolheu para mudar
O caminho é fácil demais
O difícil é não se ter a si mesmo a toda hora
É só isto o que ainda me faz ficar
Feito um dinossauro perto da crista da onda

Quem sabe a manchete do próximo pesadelo?
Quantas páginas impressas valerão tua doce ilusão?
Em caixa alta, a verdade sempre ficou para depois
É a nossa letal condição
Por trás da cortina, sussurros ao telefone
É a nossa condicional permissão
Para escolher o que é fato ou importa

É sempre assim
O discurso de quem não está aqui para julgar
Mas os meios de produção justificam a velocidade
Com que você vai nos aceitar
O caminho é fácil de mais
O difícil é se manter sóbrio a toda hora
É só isto o que ainda me faz pensar
Feito um dinossauro perto da crista da onda

Quem quiser ler de fato a verdade
Que escreva suas próprias impressões
Quem quiser falar sobre liberdade
Que tente sempre prender alguém às próprias visões
No mais, o jogo é de pergunta e respostas
Preparadas para um jogo de apostas

Lado (poema simples e descomplicado)

“Tô” em paz
Eu escolhi um lado
Meus olhos estão abertos e são passionais
Eu estou ao lado
Estou buscando motivo para amar demais

Ainda acredito na nossa história
E mesmo que não haja glórias
Eu sei o que me move e o que me faz

Não adianta vir com novos prédios
Meu coração não quer
Eu nunca tive crédito
Mas sempre me sobrou fé

Na falta de lugar melhor, sempre caminhei
Nunca fiquei parado a espera de futuro qualquer
Só devo aos meus passos meus erros de lei

“Tô” em paz
Juro que é do fundo da alma
Meus poros estão abertos a erros a mais
Nem sempre tive calma
Mas estou buscando motivos para ir atrás

Não sei bem o que quero
Mas sinto o que não cabe em mim
Eu nunca tive crédito
Mas sempre tive a coragem de seguir

Na procura dos mortos


Pra onde vão teus olhos
À procura de outros mortos
Os sorrisos ficaram presos às fotos
Nada se renovou

Hoje o dia amanheceu triste
Perdi o sentido do que em mim existe
Não sei se existo, ou estou vivo
O silêncio não se rompe com o grito
O escuro veio iluminar a dor...

Pra onde viraram os teus olhos
Quando os teus passos ficaram tortos
Por achar que escreveriam em linhas certas
E agora a crença já era
Ninguém fala mais de amor

Os dias estão ficando cada vez mais tristes
A solidão e o prazer ofuscaram o nosso limite
E tudo segue sem sentido
O silêncio não se rende ao grito
O escuro veio esconder a dor

Ficou indiferente
Se é por lucro ou por amor
Canções pós-modernas
Embalam a moda que já passou
Hoje o dia anoitece triste...

Aos teus olhos

Quem vai ter livre acesso
Quem vai estar por perto
Quando tudo ficar deserto
Quando teus olhos perderem a cor?

Às vezes existo, mas não me sinto vivo
Escondo-me dentro do silêncio...implosão do grito
Não enxergo o que trazem teus olhos

Qual a diferença entre ter e haver razão?
Qual é indiferença que habita nossa emoção?
Quem vai ter livre acesso ao mundo que nos espera?
Quem vai estar perto para acalmar a fera?

Às vezes sei como acontece, mas não entendo
Escondo-me dentro do silêncio...não te compreendo
Não leio o que trazem teus olhos

Como pode passar por nós tão indiferente
Quem disse não haver diferença entre prazer e o amor
Ainda existe alguma canção que emocione a gente
Que coloque na mesma valsa, a caça e o caçador

Ás vezes procuro tanto o que em mim incide
Encontro-me dentro do silêncio...só você existe
Então sei o que trazem teus olhos
Sei o que trazem teus olhos
Sei o que movem teus olhos

domingo, janeiro 14, 2007

Deus quer nascer em mim...

Há um parto para nascer porto
Um breve encosto para qualquer barco
Que quer sair de mim
Uma fé que me fere aos poucos
Por contrariar o que sempre vi

Agora que a ciência decretou o morto
Deus anda querendo nascer em mim
Uma oração no simples ato de sorrir
Que nos faz estar um no outro

Eu digo que Ele chegou;
Ele me diz que sempre esteve aqui
Não sei se acredito Nele
Se Ele existe nunca duvidou de mim
As coincidências em mar revolto
Podem até comprovar o que eu nunca vi

Desde ontem

Não sei se você sabe
O quanto amo você
Sei que peco tanto em não dizer
Te sigo sempre com a mente
mesmo quando não te vejo mais
Só há distância e tempo quando não estou com você
No mais só existe paz, no homem que foi você quem fez

Não precisa abrir a boca
Agora é só para que você escute
O quanto eu te amo sem te dizer
Toma conta do meu silêncio e vem em paz
Não há nem definição para saudade
Ou para a liberdade quando estou preso a você
Desde ontem, que hoje eu já te amo muito mais

Será que você sabe que não houve mundo antes de te ter
Como se eu só estivesse vivo para chegar a você
Entre tantos percursos tua alma é meu mar
E nem houve curso certo, como não era certo que eu pudesse amar
Agora, um outro mundo me vem...
Eu queria tanto te dizer
Não dormir pensando em você
Entre outras frases clichês...
Agora, um outro mundo se fez...

Não precisa abrir os olhos
Agora é só para que você possa ver
O quanto minha sorte é você
Toma conta do meu silêncio e vem em paz
Não há definição para essa estrada
Que tomamos sem perceber
Desde ontem, que amanhã te amarei muito mais

Samba sem som, nem piedade

Sem canção, o silêncio que toca seco
Faz lembranças valsarem sem endereço
No salão deserto do teu olhar
Na parede do quarto, um filme de guerra
Que ao invés de soldados, traz uma batalha a dois
Já que na trincheira da saudade
O beijo que não existe mais é arma sem piedade
Ele vem para te matar, para te matar

Não adianta fechar os olhos, que a cena passa por dentro
Cada um carrega seus mortos, ainda vivos em outros braços
Não adianta abrir o tempo, que a chuva cai é aqui dentro
Cada um carrega suas dores, ainda que em novos abraços
Eu sou o furto do que fui e hoje não me acho

Na volta

Amanhã, o impossível vai estar aqui
Quem ousa desmentir
Não sabe nem de si, nem o que traz
Ela demorou a dormir
Pensou que a noite não teria mais fim
Porém o tempo não pára para que possamos nos conhecer
É preciso romper as fronteiras que o mundo teima em nos dar

E a música há de seguir
A dança também terá que acabar
Restarão calos nos pés sobre o salão
Na cabeça a invenção de uma nova canção
Que nos dirá que amanhã o sol será capaz
De secar o orvalho que eu deixei
De iluminar tudo que sem querer lhe dei
E que você foi sem nem notar, que era o melhor que poderia dar
Porém o tempo não pára para que possamos nos consertar

Você faz parte da enciclopédia que nunca quis escrever
Que outros talvez queiram ler
Mas que nunca vai então me revelar
Eu sou infinito assim, dentro do menor espaço a me sufocar
Se ela quer saber se retornará para mimAinda que volte para aqui, eu não serei mais o mesmo lugar

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Não posso chegar pelas rotas do seu olhar

Eu sigo em paz sozinho, por entre as nuvens
Nunca escolhi bando, nem ninho para morar
Sei dos perigos postos por entre as ruas
Mas não posso querer chegar pelas rotas do seu olhar
Que me proteja o sol quando for dia
E que noite traga verdades que só o medo pode revelar

Quem disse que é obrigação do sangue correr nas veias?
É por estar preso ao corpo...é por não estar solto no ar
Sempre fui só compondo a manhã que me clareia
Mesmo que sempre estivesse à espera de ver você chegar

Não confio em nenhum abrigo
Às vezes faço prece até pelos meus inimigos
Só para não ter ninguém a me acompanhar
Não deixo ensinamento, nem lição de vida
Não estou para edificar o tempo
Nem para encontrar uma saída...
...a roupa que cabe em mim, só em mim servirá...

Que julgue quem vê pelas janelas das casas
Estou pela rua a aliviar a minha alma
Não preciso de bando para abrir minhas asas
Não odeio ninguém e quem eu amo é um pouco meu lar
Onde posso estender nos varais meu cansaço
Onde posso mostrar que nos sapatos só trago os passos
As pegadas ficaram em seu devido lugar...

E você é assim como eu
Estende os braços quando sorrir com o espírito
Mas não deixa de vigiar a inveja dos malditos
E o nosso desprezo é o mais certeiro tiro
No peito de quem acha que aprendeu a viver
E agora teima em querer ensinar...

Acesso negado

Não é nada engraçado, achar graça de tudo
É tiro ao alvo e nem perguntaram
O que está entre eles e o previsível futuro
Chegaram todos atrasados e ainda acreditam
Que é inédito o museu que ainda está pra nascer

Corrida pela senha...o acesso está implícito
Mas só não enxergar quem não quer querer poder
Corrida pelo espaço...o avesso sequer persiste
Ignoram os tristes com auto-ajuda e prazer

Sozinhos em meio às caras ao lado
Será que de fato crêem que a solidão não existe?
Eles trocam de moda, mas continuam o que são
Eles trocam de pele, mas o veneno ainda é o mesmo
Mudam as novelas, mas é a mesma invenção

De tanto apanhar, chega o dia em que não mais se esquece
...ou se muda o caminho, ou se molda à dor...
De tanta ilusão, chega o dia em que a realidade perece
...ou se muda o foco, ou o mito molda a visão...

Quem imaginou que não seria?

Sempre arriscado...quem imaginou que não seria
É assim com quem escolhe um lado
Sopra o coração com o que se sonhou um dia
Todo dia a gente quebra a cabeça
Para juntar as peças de uma poesia
Família, filhos, grana em plena auto-estrada
Às vezes nada rima com nada
Só que o mundo não para e só nos resta ir...

Sempre faltam peças depois de parar um tempo
Quem é que não precisa de um pouco de silêncio
Fantasmas que atacam lá fora ganham sobrevida aqui dentro
Mas me refugio no mundo que você me deu
E meu coração é todo teu...
E olhe que nem sei se um dia ele foi meu

Tentam me fazer acreditar que é pouco
Julgam-me como se eu já estivesse morto
Mas o valor do mundo que nasce dos teus olhos só eu sei
O valor do mundo que nasce dos teus olhos só eu sei
Eu aprendi a enxergar aonde cheguei...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Personagem

A vida segue sem você
Tinha que ser...tenho que me virar
Sou do futuro agora e quem vem lá não vai saber
Que um dia eu sai colhendo meus pedaços pelo chão
Por onde pisamos sem entender que o caminho nos seguirá

Do meu vazio cuido eu
E ninguém precisa indagar...
O que se perdeu, ou que se deixou de ganhar
Será um farol condenando o que virá

Não haverá como esquecer,
Ainda que haja uma forma de deixar de te amar
São nossas marcas a partir de agora
Armadilhas para quem quiser nos encontrar

Ficamos mais profundos sem querer
E em qualquer novo corpo que eu possuir
Sua alma vai estar para me assombrar
Até o dia em que eu deixar de existir
Mesmo que algum dia eu ainda deixe de te amar

É que a vida segue sem você
Mas minha alma não seguirá
Ainda buscará teus olhos, a minha nova vida
Nem que seja para te mostrar
Que foi possível sem você
Ou que nunca será...

Equilíbrio químico

?Quem paga por ser sincero?
?Quem ainda chora ao sabor de uma canção?
?Quem ainda crer em algum mistério?
?Quem sabe o significado da palavra coração?

Minha cabeça busca equilíbrio químico
Mas para mim é tão físico quanto o amor e a dor
Às vezes creio mais em anjos que em comprimidos
E tuas asas ainda abraçam o que nos restou

Endofina não é felicidade, nem sensação
Quando o escuro não passa, nem acaba
Um sol interno ilumina o poço da solidão...

Não adianta correr
Não há como escapar
A prisão não possui paredes
Mas é impossível se soltar

Não se trata de ter respostas
Mas a pergunta certa para alguém nos escutar...
Só há dúvidas em mim...
....e eu não sei fazer as apostas...

Eu ainda pago por ser sincero
Eu ainda choro ao sabor de uma canção
Não sei se ainda creio em mistérios
Ainda busco o significado de se ter coração
(E quem precisa saber além de nós dois...)

De que me vale saber a causa e o nome?
De que me vale traçar métodos e uma rota?
Às vezes nem sei ao certo do que tenho fome
Quase sempre deixo a jugular a mostra

Me deixa fugir
“Não tem por onde escapar”
Mas não há paredes aqui
“Por isso mesmo não há como se soltar”
Como é que eu faço então?
“Liberdade é escolher a própria prisão”

Não pode ser
“Mas pode crer”
Não pode ser
“Mas pode crer"

Desconfigurado

Quase nunca consigo ter esse tom tão otimista
Corrompido pela lucidez, meu coração é quase um suicida
Precipita-se nas paixões, mesmo prevendo a insegurança
Dependendo o ângulo sob o qual se vê
A primeira a fugir e morrer pode ser a tal da esperança

Mas eu continuo aqui firme e forte feito antes
Não sei bem o que será de mim
Mas sei o valor de tudo que vivi em poucos instantes
Se foi apenas sonho ficará o cheiro pela casa
Da luz que me guiou um dia e traria o futuro para dentro da sala

Desculpe se não consigo crer naquele velho mundo possível
Mas isto não quer dizer que não enxergue um novo início
Estacionei Karl Marx em alguma daquelas calçadas
Onde desenhávamos os dias que nos faltavam
Hoje se estou mais pessimista, talvez até seja por vício
Hoje enxergo em pequenas coisas, os grandes princípios

Talvez seja assim, agir mais por amor do que por teoria
Deixar de escrever tratados para compor poesias...
Não quero estar certo, mas cansei de gritar em meio ao deserto
Enquanto há tanta coisa que ainda pode ser mudada

Pode falar mal de mim nos próximos seminários sobre o povo
Pode dizer que eu nunca luto por ninguém
Entre a cátedra e a catedral de mitos novos
Entre os córregos e os rios onde correm conceitos mortos
Eu continuo por amor e não pelo discurso que convém

A valsa entre hipérboles

Não me imagino sem você
Seja num dia, ou durante um ato
Nos bastidores, ou no palco...
Eu não me imagino sem você

Longe de ti tudo é sombra e silêncio
Por mais que a cidade me traga terremotos
Longe de ti sou só um pedaço de passado
Jogado em meio aos mortos

Não me imagino sem você
Seja minha metade, ou meu corpo inteiro
Seja de fato concreto, ou exagero
Eu não me imagino sem você

Longe de ti tudo é escuro e tenso
Por mais que lá fora seja forte a luz
Longe de ti sou só um pedaço de passado
Jogado entre o que não mais seduz

Não me imagino sem você
Não me vejo em outro tempo e espaço
Por mais alternativas que nos dêem os astros
Eu não me imagino sem você

Só sobra você quando sombras incidem
É você quando meu coração desperta do silêncio
Só sobra você quando nenhum lugar me cabe
Quando conviver com a dor é uma arte....só me sobra você...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Real motivo

Não imagino que vá mudar muita coisa
Amanhã estaremos no mesmo lugar
Talvez até com menos sonhos do que agora
É natural para quem enxerga o mundo andar

Mas sempre haverá vida pra depois
Que qualquer dor nos abater
Sempre há de haver força para não se entregar

Em poucos amigos que telefonam quando tudo "tá" perdido
Em poucos segundos em que o mundo parece fazer sentido
Sempre há de haver um motivo para nós
Sempre há de haver motivo...

Não é a toa que nossos corações ecoam
Que batem no compasso de outras freqüências
Não é a toa que as nossas mentes voam
Enquanto outros mentem sobre o que vale a pena

Sinto muito se falta dinheiro, mas é que não nos vendemos tão fácil
Sinto muito se é mais fácil de outro jeito
Mas é que somos feitos de coração e coragem
Não é nem que não sentimos medo
Mas é que descobrimos antes do fim, o final da viagem

E ainda vale a pena crer
Se quando chega em casa de fato tenho você
Diferente das parcerias assinadas em contrato
Não há motivos para estarmos juntos
E este é o motivo de realmente estarmos

Como uma declaração de amor que se renova a cada ano
Como o item que se coloca de última hora no mais perfeito plano
É sempre o mais importante
Pode parecer pouco para que deseja o mundo
Mas para quem já tem o mundo é mais importante...

Optamos pela dor, optamos pelo mais importante

Muito por muito pouco

Deixaram a margem da história
Ninguém sabe ao certo o que vem
Qual será o tamanho da onda?
Quem ficará fora do trem?

E pra quem pensa por si só
Não haverá espaço
Ou é corda no pescoço
Ou é andar contando os passos

E pra quem pensa por si só
Não haverá poemas
Ou é boné na cabeça
Ou é andar cortando dilemas

E quem pensa por si só?

Deram falsas glórias
Ninguém sabe o que se fez por merecer
Perderam o bonde da história
Encontram a fonte do poder

E pra quem pensa por si só
Não haverá mais tempo
Ou é aceitar o que vier
Ou é ignorar o que anda vendo

E quem pensa por si só?

E pra quem pensa por si só
Será só mais um dia atrás do outro
Com poucas ambições
Sonhando muito por muito pouco