domingo, janeiro 14, 2007

Deus quer nascer em mim...

Há um parto para nascer porto
Um breve encosto para qualquer barco
Que quer sair de mim
Uma fé que me fere aos poucos
Por contrariar o que sempre vi

Agora que a ciência decretou o morto
Deus anda querendo nascer em mim
Uma oração no simples ato de sorrir
Que nos faz estar um no outro

Eu digo que Ele chegou;
Ele me diz que sempre esteve aqui
Não sei se acredito Nele
Se Ele existe nunca duvidou de mim
As coincidências em mar revolto
Podem até comprovar o que eu nunca vi

4 comentários:

Anônimo disse...

Da frase "Ela demorou a dormir" do poema "Na volta" surgiu o texto abaixo...

Ela demorou a dormir. As pílulas já faziam parte de sua vida. Escolha fácil pelo sono simulado. Ela havia escolhido os comprimidos – tudo o que era comprimido compunha sua existência dissimulada; comprimia seus sentimentos a vagas lembranças e não permitia que o novo fizesse parte da memória. As pílulas já não surtiam efeito no seu sono vazio, no vazio de seus dias vividos a flashes.

Anônimo disse...

Uma dose bem forte de café misturado com coca-cola, alguns cigarros no cinzeiro da sala, o celular desligado na estante... Ela pertencia a si com a mesma prisão do escuro à noite... Talvez se a noite tivesse oportunidade de escolha fosse clara...Será que ela teme o obscuro de sua alma? Será que sua alma é cinza como as cinzas que escorrem de suas mãos? Será que se lhe dessem uma nova chance ela não teria reduzido seu amor a cápsulas de defesa?

Anônimo disse...

A casa banhada de escuro. Não havia mais como acender a luz que descomprimisse a pressão de suas reflexões. Ela havia deixado tudo tão pequeno, tão instantâneo. Agora sofria por ter esquecido a arte de amar no drama dos sonos forçados com as pílulas fantásticas... Por ter lembrado da dor de amar ao acordar e, logo em seguida, esquecido que não há amor que não doa, não há vida ávida que pulse mesmo sem pulsos.

Ela cortou os pulsos no dia em que viu o coração dele pulsar novamente por alguém que não se comprimia em pílulas, que não guardava a vida em invólucros por medo de viver.

Ela não demorou a dormir. As pílulas já não faziam parte de sua vida.

Anônimo disse...

P.S.: O texto é muito "pesado", forte, mas é que eu o fiz pensando em Ana Christina César - impossível escrever algo menos denso para ela.