sexta-feira, janeiro 05, 2007

Desconfigurado

Quase nunca consigo ter esse tom tão otimista
Corrompido pela lucidez, meu coração é quase um suicida
Precipita-se nas paixões, mesmo prevendo a insegurança
Dependendo o ângulo sob o qual se vê
A primeira a fugir e morrer pode ser a tal da esperança

Mas eu continuo aqui firme e forte feito antes
Não sei bem o que será de mim
Mas sei o valor de tudo que vivi em poucos instantes
Se foi apenas sonho ficará o cheiro pela casa
Da luz que me guiou um dia e traria o futuro para dentro da sala

Desculpe se não consigo crer naquele velho mundo possível
Mas isto não quer dizer que não enxergue um novo início
Estacionei Karl Marx em alguma daquelas calçadas
Onde desenhávamos os dias que nos faltavam
Hoje se estou mais pessimista, talvez até seja por vício
Hoje enxergo em pequenas coisas, os grandes princípios

Talvez seja assim, agir mais por amor do que por teoria
Deixar de escrever tratados para compor poesias...
Não quero estar certo, mas cansei de gritar em meio ao deserto
Enquanto há tanta coisa que ainda pode ser mudada

Pode falar mal de mim nos próximos seminários sobre o povo
Pode dizer que eu nunca luto por ninguém
Entre a cátedra e a catedral de mitos novos
Entre os córregos e os rios onde correm conceitos mortos
Eu continuo por amor e não pelo discurso que convém

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