segunda-feira, abril 23, 2007

Adeus

Na rua insinuam-se sinais
Da sólida solidão do subsolo de mim
Sobras e sombras sobram por aqui
Onde vou, vou no vento
Vem vindo vultos velhos por aí

A cidade é ácida para se viver
O tempo tem posto a esperança a esperar
Arte é artifício para sobreviver
O silêncio solidifica a dor neste lugar

Não aprendi a encarar prédios
Não sei dormir sob efeito dos remédios
A sensação de insegurança me dá pavor
Se vou sair, se vou voltar
Eu já nem sei
Se estou a dormir, ou acordei
Se vivi, ou se só sonhei...

Ontem eu cheguei em casa
Ninguém para me recepcionar
Você lava os pratos de asas cortadas
Quem lhe fez esquecer de voar?

Eu tiro os sapatos, desafogo a gravata
E o nó na garganta não sai do meu eu
Acho que a gente anda vivo por quase nada
Só falta mesmo dizer adeus...

Um comentário:

Anônimo disse...

porra!!!! muito bom mesmo

melhor poema que eu li seu
ate hoje

aliteraçoes bem encaixadas sem estarem forçadas.

questionamentos nas horas certas

e final muito bom
:)