segunda-feira, abril 30, 2007

Sair puro do porão

Um gesto qualquer
Desperta teu coração ateu
Sob nuvens de óleo diesel que escondem o céu
Tua solidão é sólida e sem sinal de sol
No subsolo da tua alma o silêncio traz uma canção

Você pulsa longe dos mapas da moral
Está no teu rosto: a fera adormecia anti-social
Incompreensível feito a tua condição
Um coração sem abrigo cumprindo condicional
Nos corredores cheios de aviso da razão
...metrópole, megalópole, mega produção...

É como morrer de fome no supermercado
Por não ter vis metais...símbolos cruzados...
É como só ter ar puro dentro do porão
Por excesso de carbono nas nuvens da ilusão...
A loucura faz parte da tua transpiração
O desejo que invade tua alma
E canta em silêncio a tua canção
E lava com calma o teu coração...

Um surto, um susto...
...não há backup para salvar sensações
...vai no córrego das águas, nas paixões...
Ficaram nas fotos, nas prisões
Aliviaram dias tristes
...mas nada mais...
Se você não vive, não existe
...qualquer coisa tanto faz...
E aí é só esperar: black-out total

É como conter impurezas em meio à transpiração
Quando é necessário mudar sem dar satisfação
É como buscar ar puro dentro do porão
Quando é necessário lutar sem ter previsão
De chuva ou estiagem, vitória ou perdição...
O desejo faz parte da tua condição
É organismo vivo em meio à putrefação
Dos grandes prédios, shoppings e urbanização

É como precisar dormir
E nunca perder a lucidez, nem a noção
É como precisar sair
E só ter ar puro no porão...
...ar puro no porão...

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