sábado, agosto 04, 2007

Contando o tempo

Andei contando este tempo que escurece
As horas em que estive vivo não deu sequer um dia por mês
Entre tudo que eu poderia ter sido, entre os caminhos que desperdicei
Chegou o tempo em que a verdade que em mim reside
Cobra de meu coração o jardim que eu não plantei...

Passei tanto tempo perdendo tempo em ser triste
Que nem vi que você segurava minha mão quando mais precisei
Não posso voltar ao lugar onde a ferida se imprime
Mas ando me reconstruindo em passos lentos
Sem saber se vou ter tempo de voltar a ser
Aquele que te encantou um dia com a poesia que poucos lêem

Andei conquistando coisas caras, mas sem valor algum
Tudo aquilo que em mim hoje mora
São os dias que não vivi e as palavras que não falei
O amor quem aqui e me devora
É o que não sei expressar, nem deixar claro para alguém

E assim as feridas vão ficando abertas
Um cemitério na cabeça que ninguém vê
Onde residem os abraços que não dei
E os sonhos que não realizei...

Um comentário:

Anônimo disse...

...estão permeadas de melancolia as poesias de agosto...mês de desgosto? Não deixe o agosto a gosto das lendas...não deixe o gosto amargo do desgosto travar a beleza do que você nem sempre diz. Dias melhores virão...
beijo.
Vanessa.