| Eu sigo em paz sozinho, por entre as nuvens Nunca escolhi bando, nem ninho para morar Sei dos perigos postos por entre as ruas Mas não posso querer chegar pelas rotas do seu olhar Que me proteja o sol quando for dia E que noite traga verdades que só o medo pode revelar Quem disse que é obrigação do sangue correr nas veias? É por estar preso ao corpo...é por não estar solto no ar Sempre fui só compondo a manhã que me clareia Mesmo que sempre estivesse à espera de ver você chegar Não confio em nenhum abrigo Às vezes faço prece até pelos meus inimigos Só para não ter ninguém a me acompanhar Não deixo ensinamento, nem lição de vida Não estou para edificar o tempo Nem para encontrar uma saída... ...a roupa que cabe em mim, só em mim servirá... Que julgue quem vê pelas janelas das casas Estou pela rua a aliviar a minha alma Não preciso de bando para abrir minhas asas Não odeio ninguém e quem eu amo é um pouco meu lar Onde posso estender nos varais meu cansaço Onde posso mostrar que nos sapatos só trago os passos As pegadas ficaram em seu devido lugar... E você é assim como eu Estende os braços quando sorrir com o espírito Mas não deixa de vigiar a inveja dos malditos E o nosso desprezo é o mais certeiro tiro No peito de quem acha que aprendeu a viver E agora teima em querer ensinar... |
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Não posso chegar pelas rotas do seu olhar
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3 comentários:
Tentei reunir alguns versos que gostei e os títulos dos poemas no texto abaixo... Uma intertextualidade que expressa o que eu estou sentindo. Ando longe das palavras por estar num silêncio sem letras, dessa vez. Se tem sido bom, não sei... Mas que estou tentando aproveitar essa nova fonte de reflexão, ah, isso estou!
Foi pelas rotas do olhar, caminhando sob o desespero e a dor de ser, ligada ao passado por cordões umbilicais que todos já pareciam saber – eu quebrei o que somente os outros pocaram... eu rompi com o que os outros somente separaram... Foi caminhando sobre o infortúnio que percebi o que era perdoar: estar por cima sem submeter a dor, sem submergir o outro em nome do seu próprio desejar.
Sabe que, às vezes, eu fico tentando escrever simples, dizer sem mais delongas aquilo que já foi encurtado pelo tempo... Mas o acesso negado aos meus desejos se torna uma porta de entrada para aqueles que imaginaram que não seria... Eu personagem de mim à procura de equilíbrio químico, psíquico, idiotizante, quem sabe... Mais fácil viver na ignorância do que desconfigurado pela valsa entre hipérboles. A metáfora se suicidou quando viu que em nosso mundo o exagero das propagandas seria seu homicida.
Mas o real motivo por eu estar aqui é muito por muito pouco – de coração, Ano Novo, desejo me reencontrar longe da tristeza que me cerrou os olhos nesse último olhar do ano que faleceu.
E agora, vou me acalmar na poesia que vira tratado por justamente destratar a convenção – eu vira uma esperança e é nela em que vou me brandir. Não há como esquecer os temores em vão, pois ficamos mais profundos sem saber. Eis a forma de deixar de amar sem garantir que o sangue pelas veias pare de circular - quem disse que é obrigação do sangue correr nas veias? Nos sapatos, pés sem calos, porque a dureza ficou nas pegadas. É só então que posso me acalmar ao “almar” o coração de pedra da fortaleza lá fora. Minha alma materializando o que cada um protege. Quando junto as mãos em comunhão com o soluço. Quando conviver com a dor se torna uma arte.
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