sábado, dezembro 02, 2006

Ela deu singeleza ao mundo


A alagoana Dona Marinita – considerada o patrimônio vivo da história pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – morreu neste sábado.
Maria do Carmo Nunes da Silva, 86, era seu nome de batismo. No entanto, ela ficou nacionalmente conhecida como Dona Marinita por conta de ser a única artesã do mundo que dominava e produzia o bico de Singeleza.

Dona Marinita se encontrava doente há mais ou menos uma semana. Ela havia contraído tétano, depois que levou um corte na cabeça. Chegou a ser internada no Hospital de Doenças Tropicais, mas na manhã de hoje não resistiu. Dona Marinita – conforme a arquiteta e amiga Adriana Guimarães – não havia tomado as vacinas antitetânicas.

A arquiteta comentou a perda para a História da cultura alagoana e ressaltou a importância de Dona Marinita para o artesanato do Estado. Falou ainda que o tétano venceu Dona Marinita, por conta dela ser uma pessoa muito frágil e magra. “Pelo menos ela foi reconhecida nacionalmente e recentemente ganhou o maior prêmio do artesanato brasileiro”, destacou.

Por conta do tétano ser altamente contagioso a equipe médica que acompanhou a artesã explicou que é recomendável o enterro o mais rápido possível, por esta razão Dona Marinita deve ser sepultada ainda na tarde de hoje, em Marechal Deodoro, onde já se encontram familiares e amigos.

Marinita era filha única e aprendeu o bico Singela com a mãe, dona Filó, e após a morte desta, a artesã praticamente se enclausurou em casa e aperfeiçoou o bico. Tornou-se conhecida e entrou para o IPHAN por meio da arquiteta Adriana Guimarães, que sendo muito amiga de Dona Marinita, a ajudou na divulgação de seu artesanato.

A alagoana foi a primeira mulher inscrita no Programa de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Brasil, e figurava ao lado do samba de roda do Recôncavo Baiano e da Festa de Ciro de Narazaré. Neste momento, nossa equipe de reportagem tenta contato dom a arquiteta Adriana Guimarães, para saber maiores detalhes sobre o velório de Dona Marinita.
Singeleza

A renda singeleza é apenas uma das várias tradições culturais brasileiras em fase de catalogação e, em alguns casos, tombamento. Há algum tempo se fala de proteger bens culturais como conjuntos arquitetônicos, monumentos e obras de arte dos efeitos do tempo e da modernidade, para que as gerações futuras possam ter acesso a eles - e por conseguinte à história.

Porém, a partir dos anos 90, intensificou-se a idéia de conservação de um outro tipo de ativo cultural, composto pelas tradições e conhecimentos populares, denominado patrimônio imaterial. São manifestações que passam de geração para geração de forma oral, ou pela experiência, como o artesanato, a culinária, as músicas, as festas, as crenças, entre outros itens folclóricos.
São manifestações que passam de geração para geração de forma oral, ou pela experiência, como o artesanato, a culinária, as músicas, as festas, as crenças, entre outros itens folclóricos.

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