terça-feira, dezembro 12, 2006

Moça da TV

Poucas linhas para dizer
Que o mundo andou e ficamos do outro lado
A espera de acontecer
O capital não captou nosso corpo ali parado

Quem diria que o futuro não viria
Nossa guerra fria só queimou soldados
Quem diria que a luz se apagaria
E o escuro deixaria visível
Tudo o que enxergamos calados

Enquanto a moça da TV me paquera
Mostrando a cerveja
Nunca existiram “as fichas sobre a mesa”
Enquanto consumíamos uísque para ideais nunca consumados

Pode até ser que eu seja mesmo louco
Por acreditar que pequenos gestos podem ser inflamáveis
Eu continuo a viver ainda por muito pouco
Chegar em casa e aproveitar o resto do dia ao teu lado

Não vejo lucro em tanto correr
Quanto vale mesmo a sola dos nossos sapatos?
Quando vejo a moça na TV
O que será dela quando voltarem às tendências do ano passado?

Pode até ser que eu esteja mesmo louco
Ao querer que o amor seja mais forte que o Estado
Eu continuo aqui vivendo por muito pouco
Mas é tudo o que preciso para acordar esperançado

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