Só me restam as tuas mãos...
...quando o poeta retorna ao cotidiano
Na hora em que cai o pano
Sem aplausos; sem últimos planos
(Só me levam as tuas mãos)
Quando qualquer fuga é impossível
dentro do meu próprio silêncio em carne viva
É da tua mão o gesto mínimo...
...com tudo o que se necessita
Suave descanso dos olhos;
quando tudo é lúcido e visível;
quando não há resumo;
nem palavra possível...
...para o rumo que não escolhemos
mas estamos nele desde o início
Só tuas mãos estão comigo
Tocam meu rosto como porta de um abirgo
quando morre o futuro que não veio
quando largamos o caminho no meio
Só tuas mãos estão comigo
Como o verso que distrái a dor
Como a rima mais previsível
Nos surpreende em uma velha canção de amor
(Só me restam as tuas mãos)

Nenhum comentário:
Postar um comentário